Coqueluche em Lactentes: Complicações e Manejo Urgente

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Há 48 horas, menina de três meses iniciou coriza e febre baixa, evoluindo com episódios de tosse paroxística, seguidos de vômitos. Sua imunização está atualizada e seus pais apresentam história de tosse há uma semana. Ao exame físico, não há sinais de esforço respiratório; FR = 50ipm e ausculta pulmonar se encontra normal. O hemograma com 40.000 leucócitos/mm³ com 60% de linfócitos. De acordo com a principal hipótese diagnóstica para essa caso, a complicação esperada é:

Alternativas

  1. A) Miocardite.
  2. B) Derrame pleural.
  3. C) Bronquiolite obliterante.
  4. D) Hipertensão pulmonar.

Pérola Clínica

Lactente < 6 meses com tosse paroxística, vômitos pós-tosse e linfocitose absoluta → Coqueluche, com risco de hipertensão pulmonar e apneia.

Resumo-Chave

O quadro clínico de lactente jovem com tosse paroxística seguida de vômitos, associado a linfocitose absoluta no hemograma, é altamente sugestivo de coqueluche. A coqueluche em lactentes menores de 6 meses é particularmente grave, e a hipertensão pulmonar é uma complicação séria e potencialmente fatal, especialmente em casos de pneumonia associada.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, particularmente perigosa para lactentes menores de 6 meses. Apesar da imunização, surtos ainda ocorrem, e a transmissão pode vir de adultos ou adolescentes com tosse prolongada. A doença evolui em três fases: catarral (sintomas inespecíficos), paroxística (tosse intensa com guincho e vômitos) e convalescença. Em lactentes, a fase paroxística pode ser atípica, com apneia e cianose predominando sobre o guincho. O diagnóstico é clínico, epidemiológico (contato com tosse) e laboratorial (linfocitose absoluta no hemograma, cultura ou PCR de secreção nasofaríngea). A fisiopatologia envolve toxinas bacterianas que afetam o epitélio respiratório e o sistema imune, levando à inflamação e à tosse característica. As complicações em lactentes são graves e incluem apneia, pneumonia, convulsões, encefalopatia e, mais criticamente, hipertensão pulmonar, que pode ser fatal. O tratamento é com macrolídeos (azitromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissão, além de suporte respiratório intensivo. A prevenção é feita pela vacinação (DTPa) e pela vacinação de gestantes (dTpa) para proteção passiva do recém-nascido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes?

Sinais de alerta incluem tosse paroxística (em crises), guincho inspiratório (nem sempre presente em lactentes), vômitos pós-tosse, apneia e cianose, especialmente em lactentes não vacinados ou parcialmente vacinados.

Por que a coqueluche é mais grave em lactentes jovens?

Em lactentes menores de 6 meses, a coqueluche pode causar apneia, bradicardia, pneumonia grave e hipertensão pulmonar, devido à imaturidade do sistema respiratório e imunológico.

Qual a complicação mais temida da coqueluche em lactentes?

A complicação mais temida em lactentes é a hipertensão pulmonar grave, que pode levar à insuficiência cardíaca direita e óbito, além de encefalopatia e pneumonia.

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