Coqueluche em RN: Diagnóstico, Tratamento e Prevenção

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2016

Enunciado

Recém-nascido de 26 dias de vida chega ao pronto-socorro com história de tosse paroxística há quatro dias, acompanhada de guincho, rubor e cianose. O hemograma mostra leucocitose de 30.000/mm³ com predomínio linfomonocitário. Fica assintomático entre as crises de tosse. A mãe não fez pré-natal e apresenta tosse persistente há um mês. Em relação a este caso, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) A antibioticoterapia deve ser feita com eritromicina por 14 dias.
  2. B) Está indicada exsanguineotransfusão para evitar a síndrome de hiperviscosidade.
  3. C) Essa doença poderia ter sido evitada através de uma vacina na gestação.
  4. D) O paciente deverá ser internado em isolamento respiratório por pelo menos 10 dias.
  5. E) Não há necessidade de antibioticoterapia para os contactantes domiciliares.

Pérola Clínica

Coqueluche em RN: tosse paroxística + guincho + leucocitose linfomonocitária. Prevenção: vacina Tdap na gestação.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens pode ser grave, com crises de tosse que levam a cianose e apnéia. A vacinação da gestante com Tdap é crucial para a proteção do recém-nascido por transferência passiva de anticorpos, antes que ele possa ser vacinado.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente fatal em lactentes jovens, especialmente aqueles com menos de 6 meses de idade. A alta morbimortalidade nessa faixa etária ressalta a importância do diagnóstico precoce e da prevenção. A vacinação é a principal medida preventiva, e a estratégia de vacinação da gestante com a vacina Tdap (estratégia cocoon) é fundamental para proteger o recém-nascido antes que ele possa receber suas próprias doses da vacina. O diagnóstico clínico da coqueluche em lactentes é caracterizado por tosse paroxística, guincho inspiratório, rubor, cianose e, por vezes, apnéia, com períodos assintomáticos entre as crises. O hemograma pode revelar leucocitose com predomínio linfomonocitário. A confirmação laboratorial é feita por cultura ou PCR de secreção nasofaríngea. A fisiopatologia envolve toxinas bacterianas que afetam o epitélio respiratório e a resposta imune. O tratamento consiste em antibioticoterapia com macrolídeos, como eritromicina ou azitromicina, para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, embora não altere significativamente o curso da doença na fase paroxística. O isolamento respiratório é indicado para pacientes internados. A profilaxia de contactantes domiciliares também é crucial para conter a disseminação da doença, especialmente em ambientes com lactentes não vacinados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da coqueluche em recém-nascidos?

Em recém-nascidos e lactentes jovens, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística, guincho inspiratório, rubor, cianose e, em casos graves, apnéia. A fase catarral inicial pode ser inespecífica.

Qual o tratamento recomendado para coqueluche em lactentes?

O tratamento de escolha para coqueluche é a antibioticoterapia com macrolídeos (eritromicina, azitromicina, claritromicina). A azitromicina é frequentemente preferida devido à menor incidência de efeitos adversos gastrointestinais e menor duração do tratamento.

Por que a vacina Tdap é indicada para gestantes na prevenção da coqueluche?

A vacina Tdap (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) é indicada para gestantes entre a 20ª e 36ª semana de gestação para promover a transferência passiva de anticorpos maternos ao feto, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida, período de maior risco para coqueluche grave.

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