FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Lactente de 50 dias de idade, sexo masculino, há 11 dias apresenta coriza, espirros e tosse seca discreta. Nega febre. A tosse, no início, era discreta, mas foi piorando progressivamente, principalmente à noite, com períodos de acessos e, algumas vezes, cianose. Após alguns episódios de tosse, apresentava emêse e ficava com a fácies avermelhada. Passada a crise de tosse, a criança parece estar muito bem. As vacinas estão em dia. Mãe adolescente, 18 anos, primigesta, pré-natal completo sem intercorrências, parto cesáreo por escolha. Mora com os avós que estão com tosse seca há 3 semanas. Ao exame: obstrução nasal, FR = 50 irpm, com esforço após tosse. Ausculta com roncos esparsos em ambos os pulmões. Sem outras alterações ao exame físico. A hipótese diagnóstica e a conduta mais adequada são:
Lactente <3m com tosse paroxística, cianose e vômitos pós-tosse, mesmo vacinado → Coqueluche até prova em contrário.
O quadro clínico clássico de tosse paroxística com cianose e vômitos pós-tosse em um lactente jovem, mesmo com vacinação em dia (que pode não conferir proteção total ou ter sido transmitida por contactantes não vacinados/com imunidade decrescente), é altamente sugestivo de coqueluche. A internação é crucial devido ao risco de complicações graves em lactentes.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, especialmente perigosa para lactentes jovens, que apresentam as formas mais graves e maior risco de complicações e óbito. Apesar da vacinação (DTP/DTPa), surtos ainda ocorrem, muitas vezes com a fonte de infecção sendo adultos ou adolescentes com imunidade decrescente. O quadro clínico em lactentes é caracterizado por uma fase catarral inicial (coriza, espirros, tosse leve), seguida pela fase paroxística, com acessos de tosse intensos e repetitivos, frequentemente seguidos de guincho inspiratório (estridor), cianose e vômitos pós-tosse. Entre as crises, a criança pode parecer bem. Em lactentes muito jovens, o guincho pode estar ausente, e a apresentação pode ser de apneia. A suspeita clínica é crucial, especialmente em lactentes não totalmente imunizados ou com contato com casos suspeitos. O diagnóstico é confirmado por PCR de secreção de nasofaringe. A conduta inclui internação para monitoramento e suporte, especialmente em lactentes <3 meses, e antibioticoterapia com macrolídeos (azitromicina é a preferida) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade. A notificação compulsória é obrigatória para controle epidemiológico.
A coqueluche classicamente se divide em fase catarral (sintomas inespecíficos de IVAS), fase paroxística (tosse intensa, em acessos, com guincho inspiratório, cianose e vômitos pós-tosse) e fase de convalescença (melhora gradual da tosse).
O diagnóstico é feito principalmente por PCR (reação em cadeia da polimerase) de amostras de nasofaringe, que é mais sensível na fase catarral e início da paroxística. Cultura de nasofaringe também pode ser usada, mas é menos sensível.
O tratamento é com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade. A notificação compulsória é fundamental para o controle epidemiológico e identificação de surtos.
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