Coqueluche em Lactentes: Sinais, Complicações e Diagnóstico

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022

Enunciado

Menino, 6 meses de idade, apresenta coriza e tosse há 10 dias, com picos febris nos 2 primeiros dias. Quando tosse, fica pletórico e, muitas vezes, vomita muco e alimentos a seguir. Tem dormido recostado no peito de um dos pais, que estão muito preocupados e cansados. O irmão com 5 anos de idade, apresentou quadro respiratório há 15 dias, mas está bem. Hoje, após vários episódios de tosse com perda de fôlego e cianose, apresentou movimentos em membros por menos de 5 minutos. Ao exame chora e tosse, há áreas hemorrágicas em conjuntivas, apresenta FR = 26 mrm, FC = 110 bpm, saturação de oxigênio 94%, glicemia 60 mg/dL. Na ultrassonografia transcraniana, há áreas de hemorragia, bilateralmente. O diagnóstico provável do quadro apresentado é

Alternativas

  1. A) infecção pelo novo coronavírus (2019-nCoV).
  2. B) pneumonia por micoplasma.
  3. C) sepse de foco pulmonar.
  4. D) coqueluche.
  5. E) maus tratos.

Pérola Clínica

Coqueluche em lactentes: tosse paroxística com vômitos, cianose e complicações neurológicas (convulsões, hemorragias).

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes pode apresentar-se com tosse paroxística intensa, levando a vômitos, perda de fôlego e cianose. Complicações como convulsões e hemorragias (conjuntival, intracraniana) são graves e exigem alta suspeita diagnóstica.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, particularmente grave em lactentes não vacinados ou incompletamente vacinados. A incidência tem aumentado, tornando seu reconhecimento crucial para residentes. A doença evolui em três fases: catarral (inespecífica), paroxística (tosse intensa, vômitos, cianose) e convalescença. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tríade de tosse paroxística, guincho inspiratório (menos comum em <6 meses) e vômitos pós-tosse. Complicações como apneia, convulsões, encefalopatia e hemorragias (conjuntival, intracraniana) são mais frequentes em lactentes, devido à imaturidade do sistema respiratório e à intensidade dos paroxismos de tosse. A ultrassonografia transcraniana pode revelar hemorragias. O tratamento envolve antibióticos (macrolídeos como azitromicina) para reduzir a transmissibilidade e a gravidade, se iniciados precocemente. O suporte respiratório e o manejo das complicações são fundamentais. A vacinação (DTPa) é a principal medida preventiva, e a imunização de gestantes (dTpa) protege o recém-nascido nos primeiros meses de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da coqueluche em lactentes?

A coqueluche em lactentes é caracterizada por tosse paroxística intensa, muitas vezes seguida de guincho inspiratório (embora menos comum em lactentes jovens), vômitos pós-tosse e cianose.

Quais as complicações neurológicas da coqueluche?

As complicações neurológicas incluem convulsões, encefalopatia e hemorragias intracranianas, resultantes da hipóxia e do aumento da pressão intratorácica durante os paroxismos de tosse.

Como diferenciar coqueluche de outras infecções respiratórias em bebês?

A persistência e a gravidade da tosse paroxística, a presença de vômitos pós-tosse, cianose e a história de contato são cruciais. A cultura de nasofaringe ou PCR são confirmatórios.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo