Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Manejo Crítico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2018

Enunciado

Lactente, 45 dias, é atendido em unidade de emergência com coriza, obstrução nasal, tosse e cansaço há cinco dias. A tosse intensificou-se nas últimas 12 horas, com episódios de cianose e pausas respiratórias. Exame físico: FR = 72 irpm; Temp.: = 36°C; oximetria de pulso (ar ambiente) = 89%; tempo de enchimento capilar = 2 segundos. Tórax: retração subcostal e de fúrcula esternal, murmúrio vesicular presente, simétrico, com estertores subcrepitantes, roncos e sibilos difusos bilateralmente. Radiografia de tórax: hiperinsuflação bilateral e opacidade heterogênea em ápice direito. O caso deve ser conduzido como infecção por: 

Alternativas

  1. A) Chlamydia trachomatis. 
  2. B) Streptococcus pneumoniae. 
  3. C) Influenza H1N1. 
  4. D) Bordetella pertussis. 

Pérola Clínica

Lactente < 6 meses com tosse paroxística, cianose e pausas respiratórias → suspeitar fortemente de Coqueluche.

Resumo-Chave

A coqueluche (pertussis) em lactentes jovens, especialmente < 6 meses, pode apresentar-se de forma atípica e grave, com tosse paroxística, cianose e episódios de apneia, sem o clássico guincho. A alta frequência respiratória, hipoxemia e infiltrados na radiografia de tórax são achados comuns. A vacinação materna (dTpa) e infantil é a principal medida preventiva.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa que pode ser particularmente grave em lactentes jovens, especialmente aqueles com menos de 6 meses de idade. Nesses pacientes, a apresentação clínica é frequentemente atípica, sem o clássico 'guincho' inspiratório, e pode incluir tosse paroxística intensa, cianose e episódios de apneia, que representam um risco significativo de morbimortalidade. A doença é transmitida por gotículas respiratórias, e a proteção conferida pela vacinação materna (dTpa) é crucial para proteger o lactente nos primeiros meses de vida. A fisiopatologia da coqueluche envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação, necrose e disfunção ciliar, levando à tosse prolongada e às complicações respiratórias. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de tosse prolongada e paroxística, e confirmado por exames laboratoriais como PCR de secreção nasofaríngea. A radiografia de tórax pode mostrar hiperinsuflação e infiltrados, mas não é específica. O tratamento precoce com antibióticos macrolídeos é essencial para reduzir a duração da fase catarral e a transmissibilidade da doença. Em lactentes graves, o suporte respiratório pode ser necessário. A prevenção é a medida mais eficaz, através da vacinação infantil e da vacinação de gestantes (estratégia do cocooning). Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais atípicos da coqueluche em lactentes para um diagnóstico e manejo oportunos, evitando complicações graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de coqueluche em lactentes jovens?

Em lactentes jovens, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística, cianose, pausas respiratórias (apneia), e por vezes, sem o clássico guincho. Podem apresentar também coriza, obstrução nasal e cansaço. A febre é geralmente ausente ou baixa.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da coqueluche?

O diagnóstico laboratorial é feito principalmente por PCR (reação em cadeia da polimerase) de secreções de nasofaringe, que possui alta sensibilidade e especificidade, especialmente nas primeiras semanas da doença. A cultura de Bordetella pertussis também pode ser realizada, mas é menos sensível.

Qual o tratamento e a prevenção da coqueluche em lactentes?

O tratamento é com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissão. A prevenção é feita pela vacinação, incluindo a vacina dTpa para gestantes (para proteção passiva do lactente) e a vacina DTPa para crianças, conforme o calendário vacinal.

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