UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015
Lactente de 20 dias de vida é trazida pela mãe ao Hospital Universitário com história de tosse e coriza, ficando “vermelha” durante os episódios de tosse e cansação há 10 dias. Sem outras queixas relatadas. A mãe refere gestação sem intercorrências, parto cesariana eletiva, recém-nascido a termo, Apgar de 8/9 e peso de nascimento de 3.240g e diz que a lactente evoluiu bem até 3 semanas de vida, amamentada exclusivamente ao seio com ganho ponderal de 1.100g durante esse período. Evoluiu com piora da tosse, desinteresse pelas mamadas, perda ponderal de 400g e redução da diurese. História de membros da família com suposto “quadro viral”. Ao exame físico: peso de 3.900g, desidratada, afebril, taquipneica com discreta retração subcostal (FR = 72 irpm), taquicardia (FC = 160 bpm), abdome globoso, depressível, com fígado a 5 cm do rebordo costal direito e baço a 1cm do rebordo costal esquerdo. Exames laboratoriais: hemograma com leucocitose à custa de linfocitose (leucometria = 6.390/mm3 -0/1/2/10/20/63/4). Plaquetas = 819.000/mm3. VHS = 30. PCR = 0,2. Encaminhada para internação. Durante internação, a lactente apresentou vários episódios de tosse, seguidos de apneia e cianose. Apresentava também alguns episódios de vômitos que se seguiam aos acessos de tosse. Laboratório: Leuc = 22.2; Seg = 33%; bas = 1%; Linf = 60%; Mono = 4%; eos = 2%; Hb = 14,4; Hto=43,7. Plaq = 558000. Glicose= 132. Ca= 11; Na =135; K= 6,3; Cl = 102; Creat = 21; Ur = 0,4; TGP = 27; TGO = 41. A impressão diagnóstica e o tratamento são: (VER IMAGEM)
Lactente com tosse paroxística, cianose/apneia e leucocitose com linfocitose → suspeitar de Coqueluche.
A coqueluche em lactentes jovens pode se manifestar de forma atípica, com apneia e cianose como sintomas predominantes, em vez da tosse "guincho" clássica. A linfocitose é um achado laboratorial importante que auxilia no diagnóstico.
A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente fatal em lactentes jovens. Sua epidemiologia é marcada por surtos cíclicos, e a vacinação é a principal medida preventiva. Em lactentes, a doença pode ser grave, levando a complicações como pneumonia, convulsões e encefalopatia. O diagnóstico da coqueluche em lactentes é desafiador devido às manifestações atípicas. A suspeita clínica deve surgir diante de tosse paroxística, cianose, apneia e vômitos pós-tosse. Achados laboratoriais como leucocitose com linfocitose são fortes indicadores. A confirmação pode ser feita por PCR de secreção nasofaríngea. O tratamento precoce com macrolídeos, como a azitromicina, é crucial para reduzir a gravidade e a transmissibilidade da doença. O suporte respiratório e a hidratação são fundamentais para o manejo dos casos graves. A profilaxia de contatos próximos também é recomendada para evitar a disseminação.
Em lactentes, a coqueluche pode se manifestar com tosse paroxística, cianose, apneia e vômitos pós-tosse, mesmo sem o clássico "guincho".
O tratamento de escolha para coqueluche é a azitromicina oral, que reduz a transmissibilidade e a gravidade da doença se iniciada precocemente.
A leucocitose com linfocitose é um achado laboratorial característico da coqueluche, especialmente em lactentes, e ajuda a diferenciá-la de outras infecções respiratórias.
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