Coqueluche em Lactentes: Sinais, Sintomas e Diagnóstico

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menino, 2m, é trazido ao Pronto Atendimento com história de tosse há oito dias. Hoje a mãe refere que a criança apresentou três episódios de perda de fôlego e cianose após tosse. Nega inapetência e febre. Antecedentes: mãe não realizou pré-natal, parto vaginal a termo, sem intercorrências, peso adequado e recebeu alta da maternidade com 48h de vida. Exame físico: bom estado geral; T=36,5ºC; FC=148 bpm; FR=67irpm; pulmões: murmúrio vesicular presente e simétrico, sem ruídos adventícios; coração: bulhas rítmicas normofonéticas; abdome: fígado a 2 cm do rebordo costal direito, hepatimetria=4cm; pulsos simétricos. Durante o exame, apresentou um episódio de tosse seguido de cianose periférica, com duração de dois minutos, e melhora com a introdução de oxigênio em máscara não reinalante. Hb=9,7g/dL; Ht=30%; leucócitos=15.740/mm³ (78% linfócitos típicos, 13% neutrófilos, 1% eosinófilos, 8% monócitos). A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Lactente < 6 meses com tosse paroxística, cianose/apneia pós-tosse e linfocitose → Coqueluche até prova em contrário.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens é uma doença grave, caracterizada por tosse paroxística com engasgos, cianose ou apneia, e ausência de febre. A linfocitose é um achado laboratorial comum e importante para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma infecção respiratória altamente contagiosa e potencialmente fatal em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. A ausência de pré-natal e, consequentemente, da vacinação materna (dTpa), aumenta o risco de transmissão e gravidade da doença no recém-nascido. Residentes devem estar atentos a esta doença devido à sua alta morbimortalidade em crianças pequenas. A doença evolui em três fases: catarral (sintomas inespecíficos de resfriado), paroxística (tosse intensa, repetitiva, com guincho inspiratório ou, em lactentes, apneia e cianose pós-tosse) e convalescença. Em lactentes, a apresentação clássica com "guincho" pode ser substituída por episódios de apneia e cianose. O diagnóstico é clínico, suportado por exames laboratoriais como a linfocitose e confirmado por PCR ou cultura de secreção nasofaríngea. O tratamento precoce com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) é crucial para reduzir a gravidade e a transmissão da doença. A hospitalização é frequentemente necessária para lactentes devido ao risco de apneia e outras complicações. A prevenção é feita pela vacinação infantil (DTP) e pela vacinação da gestante (dTpa) para conferir proteção passiva ao recém-nascido.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para coqueluche em lactentes?

Os sinais de alerta incluem tosse paroxística intensa, episódios de apneia ou cianose após a tosse, e ausência de febre. Em lactentes, o "guincho" inspiratório pode estar ausente.

Por que a coqueluche é particularmente perigosa em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche pode causar complicações graves como apneia, pneumonia, convulsões, encefalopatia e até morte, devido à imaturidade do sistema respiratório e imunológico.

Qual o achado laboratorial mais sugestivo de coqueluche em lactentes?

A linfocitose, com contagem elevada de leucócitos e predomínio de linfócitos, é um achado laboratorial clássico e muito sugestivo de coqueluche, especialmente na fase catarral e paroxística.

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