Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Leucograma Típico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Lactente de 1 mês com história de tosse há 2 semanas e há 1 dia com crises de tosse produtiva em salva, perda de fôlego com cianose e guincho inspiratório. Assinale a alternativa que apresenta os leucogramas que são típicos desta doença:

Alternativas

  1. A) GB 2.000/Bast 2%/Seg 28%/Linf 65%/Mon 5%
  2. B) GB 35.000/Bast 0%/Seg 28%/Linf 65%/Mon 5%
  3. C) GB 25.000/Bast 15%/Seg 65%/Linf 15%/Mon 5%
  4. D) GB 15.000/Bast 1%/Seg 48%/Linf 45%/Mon 1%
  5. E) GB 5.000/Bast 20%/Seg %50/Linf 20%/Mon 10%

Pérola Clínica

Coqueluche em lactentes: tosse em salva + guincho inspiratório + leucocitose > 20.000 com linfocitose absoluta.

Resumo-Chave

A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é grave em lactentes, manifestando-se com tosse paroxística, cianose e guincho. O hemograma típico revela leucocitose acentuada, muitas vezes > 20.000-50.000/mm³, com predomínio de linfócitos, mesmo em fases iniciais da doença, o que é um achado distintivo.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa que afeta principalmente crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta. Em lactentes jovens, a doença pode ser atípica e grave, com alta morbimortalidade. É crucial para residentes reconhecerem os sinais precoces e o padrão laboratorial para um diagnóstico e tratamento oportunos, prevenindo complicações sérias. A fisiopatologia envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação e paralisia ciliar. O diagnóstico é clínico, baseado na tosse paroxística e guincho, e confirmado por cultura de nasofaringe, PCR ou sorologia. O hemograma, com sua leucocitose e linfocitose marcantes, é um forte indicativo. A suspeita deve ser alta em lactentes com tosse prolongada, mesmo sem febre, especialmente se houver contato com casos confirmados ou histórico de vacinação incompleta. O tratamento é feito com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, sendo mais eficaz se iniciado nas fases iniciais. O suporte respiratório é fundamental em casos graves. A vacinação (DTPa ou dTpa) é a principal medida preventiva, e a vacinação de gestantes (dTpa) é recomendada para proteger o recém-nascido nos primeiros meses de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da coqueluche em lactentes?

A coqueluche em lactentes manifesta-se com tosse paroxística em salvas, seguida por guincho inspiratório e, por vezes, cianose ou apneia. Pode haver perda de fôlego e vômitos pós-tosse, sendo a febre geralmente ausente ou baixa.

Qual é o achado laboratorial mais característico da coqueluche no hemograma?

O achado mais característico é a leucocitose acentuada, frequentemente com contagens de glóbulos brancos entre 20.000 e 50.000/mm³, e um predomínio de linfócitos (linfocitose absoluta), que pode chegar a 60-80% do total.

Por que a coqueluche é particularmente perigosa para lactentes?

Lactentes, especialmente os menores de 6 meses, são mais vulneráveis a complicações graves da coqueluche, como apneia, pneumonia, convulsões, encefalopatia e até morte, devido à imaturidade do sistema respiratório e imunológico.

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