Coqueluche em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento com Azitromicina

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 3 meses de vida, apresenta rinorreia, espirros e congestão nasal há 7 dias, com melhora do quadro catarral nos últimos dias, porém evoluindo com persistência de tosse seca, em acesso, seguida de cianose central após as crises. Atendido na UPA, onde foram realizados exames que evidenciaram: leucocitose (50 mil leucócitos com predomínio de linfócitos). Assinale a alternativa que contém o diagnóstico mais provável e seu respectivo tratamento medicamentoso.

Alternativas

  1. A) Sepsis viral; tratamento de suporte.
  2. B) Sepsis bacteriana; ceftriaxona e oxacilina.
  3. C) Pneumonia bacteriana; ceftriaxona.
  4. D) Coqueluche; azitromicina via oral.
  5. E) Pneumonia atípica; ciprofloxacina.

Pérola Clínica

Coqueluche em lactentes → tosse paroxística com cianose pós-crise + leucocitose linfocitária. Tratamento: Azitromicina.

Resumo-Chave

A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é grave em lactentes, apresentando-se com tosse paroxística seguida de cianose e, laboratorialmente, leucocitose com linfocitose. O tratamento com macrolídeos como a azitromicina é crucial para reduzir a transmissibilidade e a gravidade da doença.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa que pode ser particularmente grave em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida. A doença evolui em fases: uma fase catarral inespecífica, seguida pela fase paroxística, caracterizada por acessos de tosse intensos e repetitivos, que podem levar a cianose, vômitos pós-tosse e, em crianças maiores, o guincho inspiratório. A alta morbimortalidade em lactentes justifica a importância de um diagnóstico e tratamento precoces. O diagnóstico da coqueluche é predominantemente clínico, baseado na história de tosse paroxística, cianose e, em exames laboratoriais, a presença de leucocitose com predomínio de linfócitos, um achado clássico. A cultura de nasofaringe ou PCR para Bordetella pertussis podem confirmar o diagnóstico, mas o tratamento não deve ser atrasado enquanto se aguardam os resultados. A suspeita deve ser alta em lactentes não vacinados ou com esquema vacinal incompleto que apresentem os sintomas característicos. O tratamento de escolha para a coqueluche é com antibióticos macrolídeos, como a azitromicina, claritromicina ou eritromicina. A administração precoce, idealmente na fase catarral, pode atenuar a gravidade e a duração dos sintomas, além de reduzir significativamente a transmissibilidade da doença. Medidas de suporte, como hidratação e oxigenoterapia, são essenciais para lactentes com quadros graves. A vacinação (DTPa) é a principal forma de prevenção, e a imunização de gestantes (dTpa) confere proteção passiva aos recém-nascidos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clássicos da coqueluche em lactentes?

Em lactentes, a coqueluche se manifesta com tosse paroxística intensa, frequentemente seguida de cianose e, por vezes, guincho inspiratório. A fase catarral inicial é inespecífica, evoluindo para a fase paroxística.

Por que a azitromicina é o tratamento de escolha para coqueluche?

A azitromicina, um macrolídeo, é eficaz contra a Bordetella pertussis, reduzindo a duração da doença e, mais importante, a transmissibilidade, especialmente se iniciada precocemente na fase catarral.

Como diferenciar coqueluche de outras causas de tosse em lactentes?

A tosse paroxística com cianose pós-crise e a leucocitose com linfocitose são achados sugestivos de coqueluche, diferenciando-a de bronquiolite ou outras infecções virais que geralmente não cursam com essa leucocitose.

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