UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2015
Lactente com dois meses iniciou um quadro respiratório febril, seguido de tosse seca há um mês. Foi hospitalizado há 15 dias, recebeu por cinco dias um antibiótico endovenoso. A mãe relata que as crises de tosse têm se intensificado nas últimas duas semanas, acompanhadas de cianose, sem febre. Lactente apresenta bom estado geral; com FR = 48 irpm; tiragem intercostal discreta; petéquias em face; saturação em ar ambiente de 95%. Durante o exame, apresenta crise de tosse com protrusão de língua, cianose e queda da saturação até 85%. O hemograma evidencia leucocitose acentuada e linfocitose acompanhada de eosinofilia. O agente infeccioso implicado no caso é:
Coqueluche em lactentes: tosse paroxística + cianose + petéquias + linfocitose = suspeitar de Bordetella pertussis.
A coqueluche em lactentes pode apresentar-se com tosse paroxística intensa, cianose e petéquias faciais devido ao esforço da tosse. A ausência de febre e a leucocitose com linfocitose e eosinofilia são achados laboratoriais típicos que reforçam a suspeita de infecção por Bordetella pertussis.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma infecção respiratória altamente contagiosa que afeta principalmente crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta. Em lactentes, a apresentação clínica pode ser atípica e grave, com alta morbimortalidade, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico importante na pediatria. A doença evolui em três fases: catarral, paroxística e de convalescença. A fase paroxística é marcada por crises de tosse intensas e repetitivas, que podem levar a cianose, vômitos pós-tosse e, em lactentes, apneia. A ausência de febre e a presença de petéquias faciais são achados comuns. O diagnóstico é clínico, epidemiológico e laboratorial, com cultura de nasofaringe ou PCR sendo os métodos confirmatórios. O hemograma, com leucocitose e linfocitose, é um forte indicativo. O tratamento é feito com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, sendo mais eficaz se iniciado na fase catarral. O suporte respiratório é crucial em lactentes com crises graves. A prevenção é realizada pela vacinação (DTPa ou DTPw) e pela vacinação de gestantes (dTpa) para proteger o recém-nascido.
A coqueluche em lactentes é caracterizada por tosse paroxística intensa, muitas vezes seguida de guincho inspiratório, cianose e, em casos graves, petéquias faciais devido ao aumento da pressão intratorácica.
Lactentes, especialmente os não vacinados ou parcialmente vacinados, têm maior risco de complicações graves como apneia, pneumonia, convulsões, encefalopatia e morte, devido à imaturidade do sistema respiratório e imunológico.
O hemograma pode evidenciar leucocitose acentuada com linfocitose absoluta e, por vezes, eosinofilia, que são marcadores importantes para a suspeita diagnóstica de coqueluche.
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