USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Com o aumento das coberturas vacinais no Brasil, a partir do final da década de 1990, observou-se uma marcante redução na incidência das doenças preveníveis por vacinação. Isso não se verificou em relação à coqueluche. Na década passada (2011 – 2020) o número médio anual de casos confirmados no país foi acima de 3.000. Qual é uma das razões para este comportamento?
Coqueluche: alta incidência em < 1 ano devido à janela imunológica antes do reforço vacinal.
A coqueluche persiste como um desafio de saúde pública, especialmente em lactentes, devido à janela de vulnerabilidade antes da conclusão do esquema vacinal e à diminuição da imunidade ao longo do tempo. A estratégia de vacinação de gestantes (dTpa) visa proteger o recém-nascido por meio da imunidade passiva.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, com maior morbimortalidade em lactentes. Apesar das altas coberturas vacinais no Brasil, a doença ainda representa um desafio epidemiológico, com um número significativo de casos anuais, especialmente em crianças menores de um ano. A compreensão de sua epidemiologia e das limitações da vacinação é fundamental para a saúde pública e a prática pediátrica. A principal razão para a persistência da coqueluche reside na "janela de vulnerabilidade" dos lactentes. A imunidade materna transferida é limitada, e o esquema vacinal primário (DTPa) só é completo após várias doses, deixando os bebês desprotegidos nos primeiros meses de vida. Além disso, a imunidade conferida pela vacina acelular (DTPa) não é permanente e diminui com o tempo, necessitando de reforços e levando à circulação da bactéria em adolescentes e adultos, que podem ser fontes de infecção para os lactentes. As estratégias para mitigar o impacto da coqueluche incluem a vacinação de gestantes (dTpa) para conferir imunidade passiva ao recém-nascido e a estratégia de "cocooning", que envolve a vacinação de contatos próximos do bebê. O diagnóstico precoce e o tratamento com macrolídeos são importantes para reduzir a transmissão e a gravidade da doença. Para residentes, é crucial entender a dinâmica da doença, a importância do calendário vacinal e as estratégias de prevenção.
A coqueluche persiste devido à vulnerabilidade de lactentes que ainda não completaram o esquema vacinal primário, à diminuição da imunidade conferida pela vacina ao longo do tempo e à circulação de Bordetella pertussis, que pode infectar adolescentes e adultos, servindo como reservatório.
A vacinação de gestantes com a dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) é crucial para transferir anticorpos passivamente ao feto, protegendo o recém-nascido nos primeiros meses de vida, período de maior risco para formas graves da doença, antes que ele possa ser imunizado.
Em lactentes, a coqueluche pode apresentar-se de forma atípica, com paroxismos de tosse seguidos de guincho inspiratório, mas também com apneia, cianose e bradicardia, sem o guincho clássico, tornando o diagnóstico mais desafiador.
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