Coqueluche em Lactentes: Achados Típicos do Hemograma

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2025

Enunciado

Lactente, 3 meses de idade, sexo masculino, é levado a uma consulta médica por apresentar, há 15 dias, quadro de tosse seca que vem progredindo com acessos de tosse, seguidos de vômitos ao final da tosse e acompanhado de cianose facial durante estes acessos de tosse. Acompanhante relata febre baixa, mas não aferida. Não há informação sobre o cartão vacinal da criança. Exame fisico realizado mostrou criança com regular estado geral e constatada uma crise de acesso de tosse, tossidas rápidas, curtas com vômito pós tosse. Demais dados do exame físico sem alterações. Foi solicitado um hemograma deste paciente. Assinale a alternativa CORRETA a respeito deste resultado do hemograma.

Alternativas

  1. A) Esperado uma leucocitose com neutrofilia com desvio para esquerda.
  2. B) Esperado uma leucocitose com linfocitose absoluta.
  3. C) Esperado uma leucopenia com neutrofilia.
  4. D) Esperado uma leucocitose com cosinofilia absoluta.

Pérola Clínica

Coqueluche em lactentes → leucocitose acentuada com linfocitose absoluta no hemograma.

Resumo-Chave

A coqueluche, causada pela Bordetella pertussis, é caracterizada por uma leucocitose acentuada com linfocitose absoluta, especialmente em lactentes, sendo um achado laboratorial importante para a suspeita diagnóstica e diferenciação de outras infecções respiratórias.

Contexto Educacional

A coqueluche, ou tosse comprida, é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, que afeta principalmente lactentes e crianças não vacinadas ou com vacinação incompleta. A doença é caracterizada por três fases: catarral (sintomas inespecíficos), paroxística (acessos de tosse intensos, vômitos pós-tosse, cianose) e convalescença. Em lactentes jovens, a apresentação pode ser atípica, com apneia e cianose predominando. O diagnóstico da coqueluche é primariamente clínico, mas pode ser confirmado por cultura de nasofaringe, PCR ou sorologia. No hemograma, um achado característico, especialmente em lactentes, é a leucocitose acentuada com linfocitose absoluta, que pode atingir valores muito elevados (> 20.000-50.000/mm³). Esse padrão é atípico para a maioria das infecções bacterianas e serve como uma pista diagnóstica importante. A toxina pertussis é responsável por essa alteração hematológica. O tratamento da coqueluche é feito com antibióticos macrolídeos, que são mais eficazes se iniciados na fase catarral. A vacinação (DTP ou DTaP) é a principal medida preventiva e é crucial para proteger lactentes, que são os mais vulneráveis a complicações graves como pneumonia, convulsões e encefalopatia. O manejo de suporte, incluindo oxigenoterapia e hidratação, é fundamental para os casos graves.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da coqueluche em lactentes?

Os sintomas incluem acessos de tosse paroxística, guincho inspiratório (nem sempre presente em lactentes), vômitos pós-tosse e cianose durante os acessos. A febre costuma ser baixa ou ausente.

Por que a coqueluche causa linfocitose absoluta?

A toxina pertussis inibe a migração de linfócitos para os tecidos linfoides, resultando em seu acúmulo na corrente sanguínea e, consequentemente, linfocitose absoluta, um marcador distintivo da doença.

Qual o tratamento de escolha para coqueluche?

O tratamento de escolha é com antibióticos macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina), que reduzem a transmissibilidade e a gravidade da doença se iniciados precocemente, idealmente na fase catarral.

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