FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2024
Uma mãe leva seu filho de 7 meses ao pediatra relatando que o bebê está com uma tosse que já dura 15 dias. A mãe relata que o bebê teve alguns episódios de tosse paroxística e engasgos, mas sem vômitos pós-tosse ou "guincho" inspiratório. Considerando essas informações, sobre a suspeita de coqueluche, é CORRETO afirmar:
Coqueluche suspeita em > 6 meses: tosse > 14 dias + 1 dos 3 (paroxística, guincho, vômito pós-tosse).
A definição de caso suspeito de coqueluche é crucial para o diagnóstico e controle da doença. Em crianças maiores de 6 meses, a presença de tosse prolongada (mais de 14 dias) associada a pelo menos um dos sintomas clássicos (tosse paroxística, guincho inspiratório ou vômitos pós-tosse) é suficiente para levantar a suspeita, mesmo que nem todos os sintomas estejam presentes.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, com potencial de gravidade, especialmente em lactentes. Apesar da vacinação, surtos ainda ocorrem, e a doença permanece um desafio diagnóstico devido à sua apresentação clínica variável. A compreensão dos critérios de suspeita é fundamental para a saúde pública e para a prática pediátrica, permitindo o isolamento e tratamento precoces, prevenindo a disseminação e complicações graves. A fisiopatologia da coqueluche envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação e necrose celular, levando à tosse prolongada e aos sintomas característicos. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história de tosse prolongada e nos sintomas associados. Em crianças com 6 meses ou mais, a suspeita é levantada quando há tosse de qualquer tipo por mais de 14 dias, associada a pelo menos um dos seguintes: tosse paroxística, 'guincho' inspiratório ou vômitos pós-tosse. O diagnóstico laboratorial pode ser feito por cultura ou PCR de secreções nasofaríngeas. O tratamento da coqueluche é feito com antibióticos (macrolídeos como azitromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, sendo mais eficaz se iniciado nas fases iniciais da doença. O manejo de suporte é crucial, especialmente em lactentes, que podem necessitar de hospitalização para monitoramento de apneia e suporte respiratório. A profilaxia de contatos próximos é recomendada. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais e sintomas da coqueluche, especialmente em suas apresentações atípicas, para garantir o diagnóstico e tratamento oportunos e a implementação de medidas de controle de infecção.
A coqueluche classicamente se divide em três fases: catarral (1-2 semanas, sintomas inespecíficos como coriza e tosse leve), paroxística (2-6 semanas, tosse intensa, paroxística, com guincho inspiratório e vômitos pós-tosse) e convalescença (semanas a meses, melhora gradual da tosse).
Em lactentes menores de 6 meses, a coqueluche pode ter uma apresentação atípica e mais grave, com menos guincho inspiratório e mais episódios de apneia, bradicardia e cianose. A tosse pode ser menos paroxística, e a doença é mais letal nessa faixa etária, tornando a suspeita precoce fundamental.
A vacinação é a principal medida de prevenção da coqueluche, tanto em crianças (vacina DTPa ou DTP) quanto em gestantes (dTpa) para proteger o recém-nascido por meio da imunidade passiva. A imunidade conferida pela vacina diminui com o tempo, o que justifica os reforços e a vacinação de gestantes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo