Coqueluche Grave e Hiperleucocitose: Manejo Avançado

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025

Enunciado

Lactente, 3 meses de vida, previamente hígido, apresentou quadro de tosse e coriza há sete dias, evoluindo com redução da aceitação das mamadas e crise de tosse. Ele foi mantido em observação no pronto atendimento, apresentou crises de tosse, com pletora facial, guincho, cianose e vômitos. Evoluiu com insuficiência respiratória e necessidade intubação orotraqueal. Exames laboratoriais: Hb 11.8 g/dl, Ht 31%, leucócitos 75.000 células/mm³, com 46% de linfócitos, plaquetas 490 mil. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica adequada:

Alternativas

  1. A) O período de isolamento deve ser de 24 horas a partir do início do tratamento.
  2. B) A profilaxia antibiótica não é recomendada para contatos domiciliares.
  3. C) O tratamento deve ser iniciado após a confirmação etiológica do diagnóstico.
  4. D) A ampilicina é uma alternativa nos casos de intolerância ao macrolídeo. E) A hiperleucocitose pode contribuir para a hipertensão pulmonar e piora clínica, sendo necessário exsanguineotransfusão.

Pérola Clínica

Coqueluche + Hiperleucocitose (>50k) → Risco de Hipertensão Pulmonar → Exsanguineotransfusão.

Resumo-Chave

A leucocitose extrema na coqueluche causa trombos leucocitários na vasculatura pulmonar, levando à falência cardíaca direita; a redução da massa de brancos é terapêutica.

Contexto Educacional

A coqueluche em lactentes jovens é uma doença potencialmente fatal. O quadro clássico envolve tosse paroxística, cianose e o 'guincho' inspiratório. Laboratorialmente, a linfocitose absoluta é um marcador característico. Em casos graves com hiperleucocitose, a fisiopatologia envolve a obstrução mecânica pulmonar por leucócitos. O tratamento de suporte inclui oxigenioterapia e monitorização, mas a exsanguineotransfusão surge como uma terapia de resgate crítica para reduzir a carga de glóbulos brancos e prevenir a falência cardiopulmonar.

Perguntas Frequentes

Por que a hiperleucocitose é perigosa na coqueluche?

Na coqueluche grave, especialmente em lactentes jovens, a Bordetella pertussis libera toxinas que causam uma reação leucemoide (linfocitose extrema). Esses leucócitos podem formar agregados ou 'trombos' na microvasculatura pulmonar, aumentando drasticamente a resistência vascular pulmonar e levando à hipertensão pulmonar maligna, falência do ventrículo direito e óbito.

Qual a indicação de exsanguineotransfusão na coqueluche?

A exsanguineotransfusão está indicada em lactentes com coqueluche que apresentam hiperleucocitose extrema (geralmente > 50.000 - 100.000 células/mm³) associada a sinais de deterioração clínica, como insuficiência respiratória grave ou hipertensão pulmonar documentada. O procedimento visa remover mecanicamente o excesso de leucócitos e toxinas circulantes.

Quais as fases clínicas da coqueluche?

A coqueluche divide-se em três fases: 1) Fase Catarral (1-2 semanas): sintomas inespecíficos de IVAS, fase de maior transmissibilidade; 2) Fase Paroxística (2-6 semanas): acessos de tosse súbitos, guincho inspiratório e vômitos pós-tussígenos; 3) Fase de Convalescença (semanas a meses): redução gradual da frequência e intensidade da tosse.

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