Diagnóstico de Coqueluche em Lactentes: Sinais Clínicos

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2021

Enunciado

Mãe comparece ao pronto socorro com criança de 2 meses de idade com queixa de tosse produtiva há 10 dias, febre de 37,9 graus, no início do quadro. Relata que há 2 dias houve piora da tosse e informa que criança ficava cianótica e fazia uma pausa na tosse. Relata ainda que na casa moram pai, mãe e irmão de 2 anos e 2 meses, sem vacinação prévia. Considerando as informações responda a questão.Como hipótese diagnóstica você pensa em:

Alternativas

  1. A) Faringoamigdalite
  2. B) Coqueluche
  3. C) Pneumonia
  4. D) Nenhuma das anteriores

Pérola Clínica

Lactente + tosse paroxística + cianose/apneia + contatos não vacinados = Coqueluche.

Resumo-Chave

A coqueluche em lactentes jovens manifesta-se frequentemente com paroxismos de tosse seguidos de cianose ou apneia, especialmente em contextos de baixa cobertura vacinal familiar.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Gram-negativa Bordetella pertussis, permanece uma causa importante de morbimortalidade infantil. A fisiopatologia envolve a liberação de toxinas que causam paralisia dos cílios do epitélio respiratório e inflamação local, levando à tosse persistente e característica. Em lactentes jovens, a apresentação clínica é frequentemente atípica, com a apneia sendo muitas vezes o sintoma predominante que leva à hospitalização. O diagnóstico é eminentemente clínico e epidemiológico, mas a confirmação laboratorial é feita por cultura de secreção de nasofaringe ou, preferencialmente, por PCR devido à sua maior sensibilidade. O manejo envolve isolamento de gotículas, suporte ventilatório e monitorização contínua. Estratégias de prevenção como a vacinação de gestantes com dTpa a partir da 20ª semana e a vacinação de todos os contatos do recém-nascido (estratégia Cocoon) são fundamentais para proteger os lactentes que ainda não completaram o esquema vacinal.

Perguntas Frequentes

Quais as fases clínicas clássicas da coqueluche?

A coqueluche divide-se em três fases: 1) Fase Catarral (1-2 semanas), com sintomas inespecíficos de infecção de vias aéreas superiores e febre baixa; 2) Fase Paroxística (2-6 semanas), caracterizada por acessos de tosse súbitos e incontroláveis, guincho inspiratório e vômitos pós-tussígenos; 3) Fase de Convalescença, onde os paroxismos de tosse regridem gradualmente ao longo de semanas ou meses, podendo reativar em novas infecções virais.

Como é feito o tratamento e a profilaxia da coqueluche?

O tratamento de escolha é realizado com macrolídeos, sendo a Azitromicina a droga preferencial por 5 dias. O tratamento é mais eficaz na fase catarral para reduzir a gravidade clínica, mas na fase paroxística sua principal função é interromper a cadeia de transmissão. Contatos próximos, especialmente crianças e gestantes, devem receber quimioprofilaxia com o mesmo esquema de antibiótico, independentemente do status vacinal prévio.

Por que a coqueluche é mais grave em lactentes pequenos?

Lactentes menores de 6 meses são o grupo de maior risco pois ainda não completaram o esquema vacinal primário e possuem vias aéreas de pequeno calibre. Neles, a coqueluche frequentemente não apresenta o 'guincho' clássico, manifestando-se com episódios de apneia, cianose, bradicardia e exaustão respiratória. Complicações como hipertensão pulmonar maligna, convulsões e encefalopatia são muito mais comuns nessa faixa etária.

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