IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025
Pré-escolar de 3 anos é admitida na unidade semi-intensiva com esforço respiratório importante, associado a saturação de O₂ de 89% em ar ambiente. Há relato de quadro de rinorreia, espirros e congestão nasal há uma semana. A família havia levado a criança a outro serviço antes, onde foi prescrita amoxicilina, sem que houvesse melhora clínica, mantendo-se febril. Apresentou melhora do quadro catarral nos últimos dias, embora persistisse com tosse seca, em guincho, seguida de cianose labial e de "vômitos" após as crises, manifestações que vêm piorando e se tornando mais frequentes. Cartão de vacina da criança documenta apenas vacinação com BCG, pois a mãe é contra vacinas e mora em área rural longe do Posto de Saúde. Ao atendimento, o exame hematológico evidenciou leucocitose com predomínio de linfócitos, e a radiografia de tórax, infiltrado pulmonar difuso. O diagnóstico correto e o tratamento medicamentoso indicado são, respectivamente:
Tosse em guincho + vômitos pós-tosse + linfocitose absoluta em não vacinado → Coqueluche (Azitromicina).
A coqueluche apresenta-se classicamente com paroxismos de tosse, guincho inspiratório e linfocitose. O tratamento de escolha para reduzir a transmissibilidade e gravidade são os macrolídeos.
A coqueluche é uma doença infectocontagiosa aguda causada pela Bordetella pertussis, que afeta o trato respiratório. Em lactentes e pré-escolares não vacinados, a gravidade é maior, podendo evoluir com apneia, cianose e complicações como a pneumonia secundária. O diagnóstico é eminentemente clínico, apoiado pelo hemograma. O tratamento precoce com macrolídeos (Azitromicina, Claritromicina ou Eritromicina) é a conduta padrão. A prevenção primária através da vacinação (DTP/Pentavalente) e o reforço vacinal em gestantes (dTpa) são as estratégias mais eficazes para reduzir a incidência e a mortalidade infantil pela doença.
O achado clássico é a leucocitose com linfocitose absoluta. Diferente de outras infecções bacterianas que cursam com neutrofilia e desvio à esquerda, a toxina da Bordetella pertussis impede a migração de linfócitos para os tecidos, mantendo-os na circulação sanguínea, o que gera uma reação leucemoide característica.
A azitromicina, um macrolídeo, é a droga de escolha por sua eficácia na erradicação da Bordetella pertussis da nasofaringe, reduzindo o período de transmissibilidade. Embora o impacto nos sintomas dependa do início precoce (fase catarral), o tratamento é fundamental para o controle epidemiológico e prevenção de complicações.
A coqueluche é marcada por paroxismos de tosse seguidos de guincho e vômitos, frequentemente sem febre alta na fase paroxística. A pneumonia atípica (ex: Mycoplasma) costuma apresentar febre, cefaleia e tosse seca persistente, mas raramente apresenta o guincho inspiratório ou a linfocitose extrema vista na coqueluche.
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