FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2016
Um homem de 64 anos procura atendimento médico ambulatorial devido a febre, coriza, mal-estar e tosse seca. Após avaliação médica, são prescritos apenas medicamentos sintomáticos. Três semanas depois do atendimento inicial, ele procura a Emergência, devido à piora progressiva dos sintomas respiratórios, queixando-se, além disso, de tosse seca persistente associada a vômitos que provocam dificuldade de beber, comer e respirar. Relata "aperto" no peito e dificuldade de dormir. À inspeção, observa-se que a tosse finaliza com inspiração forçada e prolongada. Considerando essa descrição clínica, a hipótese diagnóstica principal é:
Tosse paroxística prolongada + vômitos pós-tosse + inspiração forçada (guincho) em adulto = suspeitar de Coqueluche.
A coqueluche em adultos e idosos pode apresentar-se de forma atípica, sem o clássico 'guincho' inspiratório, mas a tosse paroxística prolongada, muitas vezes seguida de vômitos, é um forte indicativo. A piora progressiva dos sintomas respiratórios após um quadro inicial de infecção de vias aéreas superiores também sugere o diagnóstico.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, classicamente associada à infância. No entanto, sua incidência em adolescentes e adultos tem aumentado, muitas vezes devido à diminuição da imunidade vacinal ao longo do tempo. Em adultos, a doença pode ter uma apresentação atípica e menos grave do que em crianças, o que dificulta o diagnóstico e contribui para a disseminação da infecção. A fisiopatologia envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação e necrose celular, levando à tosse prolongada. O diagnóstico em adultos é desafiador, pois os sintomas podem ser inespecíficos no início (fase catarral, com coriza, febre baixa, mal-estar), evoluindo para a fase paroxística com tosse intensa, persistente, que pode ser seguida de vômitos e, em alguns casos, o 'guincho' inspiratório característico, embora menos comum em adultos. O tratamento precoce com antibióticos macrolídeos (azitromicina, claritromicina) é fundamental para reduzir a duração da tosse e, principalmente, a transmissibilidade da doença. A vacinação (dTpa) é crucial para prevenir a coqueluche em adultos e proteger recém-nascidos, que são mais vulneráveis a formas graves da doença. A suspeita clínica é o primeiro passo para o diagnóstico e manejo adequados, especialmente em pacientes com tosse persistente e refratária a tratamentos convencionais.
Em adultos, a coqueluche pode não apresentar o 'guincho' inspiratório, mas a tosse paroxística prolongada, que pode ser tão intensa a ponto de causar vômitos, dificuldade para comer e dormir, é um sinal chave.
O diagnóstico é feito principalmente pela cultura de nasofaringe ou PCR para Bordetella pertussis, especialmente se coletados nas primeiras semanas de tosse. A sorologia pode ser útil em fases mais tardias.
O tratamento de escolha é com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina) para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, sendo mais eficaz se iniciado precocemente na fase catarral.
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