Coqueluche em Adultos: Diagnóstico, Tratamento e Profilaxia

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 35 anos, nega doenças crônicas. Procura atendimento devido a tosse persistente há três semanas, de forte intensidade e ocorrência repetitiva. As crises são seguidas de dispneia e episódios de vômito, motivo pelo qual não tem conseguido se alimentar e tem perdido peso. Ao exame: congestão facial durante os paroxismos de tosse. Há duas semanas teve contato com sobrinha diagnosticada com coqueluche. Analise as alternativas abaixo como V (verdadeira) ou F (falsa) e assinale a sequência correta, de cima para baixo: [ ] O paciente apresenta critérios suficientes para se notificar este como caso suspeito de coqueluche e proceder à coleta de material de nasofaringe para cultura/PCR de Bordetella pertussis (Bp) [ ] A transmissibilidade da coqueluche em adultos começa desde o início dos sintomas e pode durar até seis semanas, mesmo com tratamento instituído. [ ] Considerando a potencial gravidade e alta transmissibilidade do quadro acima, está indicado internamento hospitalar com isolamento respiratório para gotículas e aerossóis Necessário aguardar resultado de cultura/PCR de Bp para iniciar antibioticoterapia guiada, preferencialmente intravenosa. [ ] O tratamento antimicrobiano deve ser iniciado antes mesmo de resultado positivo de cultura/PCR de Bp e a primeira escolha é azitromicina por 5 dias. [ ] A quimioprofilaxia para comunicantes de um caso confirmado de coqueluche é indicada para todos os indivíduos com menos de 7 anos, independentemente do status vacinal.

Alternativas

  1. A) V-V-F-V-V
  2. B) F-F-F-V-V
  3. C) V-V-F-F-F
  4. D) V-F-F-V-F
  5. E) F-F-F-F-V

Pérola Clínica

Coqueluche em adulto: tosse paroxística >2 semanas + vômitos/guinchos + contato → caso suspeito, iniciar ATB empírico com macrolídeo.

Resumo-Chave

A coqueluche em adultos pode apresentar-se atipicamente, mas a tosse paroxística prolongada, especialmente com vômitos pós-tosse e histórico de contato, é altamente sugestiva. A antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente para reduzir a transmissibilidade e a gravidade, mesmo antes da confirmação laboratorial.

Contexto Educacional

A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa, classicamente associada à infância. No entanto, a incidência em adolescentes e adultos tem aumentado, muitas vezes devido à diminuição da imunidade vacinal ao longo do tempo. Em adultos, a apresentação pode ser atípica, com tosse prolongada como sintoma predominante, o que dificulta o diagnóstico e contribui para a disseminação da doença, especialmente para lactentes não vacinados ou incompletamente vacinados, que são os mais vulneráveis a complicações graves e morte. O diagnóstico de coqueluche em adultos baseia-se na suspeita clínica (tosse paroxística >2 semanas, vômitos pós-tosse, guincho inspiratório, contato com caso) e é confirmado por cultura ou PCR de secreção de nasofaringe. A notificação é compulsória. A transmissibilidade é alta, começando no início dos sintomas e durando até 3 semanas após o início da tosse paroxística, ou 5 dias após o início da antibioticoterapia eficaz. O tratamento antimicrobiano, preferencialmente com macrolídeos (azitromicina), deve ser iniciado empiricamente o mais rápido possível, sem aguardar resultados laboratoriais, para reduzir a transmissibilidade e a severidade da doença. O internamento hospitalar com isolamento respiratório é geralmente reservado para casos graves, especialmente em lactentes, ou para adultos com complicações. A quimioprofilaxia é crucial para contatos próximos de alto risco, independentemente do status vacinal, visando proteger os mais vulneráveis. A vacinação (dTpa) é a principal medida preventiva, sendo recomendada para adolescentes, adultos e gestantes, para proteger o recém-nascido através da transferência passiva de anticorpos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para suspeitar de coqueluche em um adulto?

A suspeita de coqueluche em adultos deve surgir na presença de tosse persistente por mais de duas semanas, especialmente se associada a paroxismos de tosse, guincho inspiratório, vômitos pós-tosse ou apneia inexplicada, e histórico de contato com caso confirmado ou suspeito.

Qual é o tratamento de primeira escolha para coqueluche e quando deve ser iniciado?

O tratamento de primeira escolha é um macrolídeo, como a azitromicina por 5 dias. Deve ser iniciado o mais precocemente possível, preferencialmente na fase catarral ou no início da fase paroxística, mesmo antes da confirmação laboratorial, para reduzir a transmissibilidade e a gravidade da doença.

Quem deve receber quimioprofilaxia após contato com um caso de coqueluche?

A quimioprofilaxia é indicada para todos os contatos domiciliares e outros contatos próximos de alto risco (como crianças <1 ano, gestantes, imunocomprometidos, ou indivíduos com condições médicas crônicas), independentemente do status vacinal, para prevenir a doença ou atenuar sua gravidade.

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