SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2017
Uma paciente de 28 anos, funcionária de uma creche, refere tosse seca há vinte dias que ocorre em acessos intermitentes e intensos, chegando mesmo a vomitar. O quadro se iniciou com síndrome febril de curta duração, tendo apresentado rinorreia e congestão nasal. Os outros sintomas regrediram rapidamente, persistindo a tosse que não apresentou melhora. Ela nega asma na infância, tabagismo, comorbidades ou outros sintomas associados. Qual o diagnóstico mais provável para o caso?
Tosse paroxística intensa com vômitos pós-tosse em adulto, após síndrome gripal leve, especialmente em contato com crianças = Coqueluche.
A coqueluche (pertussis) em adultos e adolescentes frequentemente se manifesta como uma tosse prolongada e paroxística, muitas vezes acompanhada de vômitos pós-tosse, após um pródromo catarral leve. A ausência do 'guinchado' clássico em adultos pode dificultar o diagnóstico, mas a história de contato com crianças (creche) é um forte indício.
A coqueluche, causada pela bactéria Bordetella pertussis, é uma doença respiratória altamente contagiosa. Embora classicamente associada à infância, sua incidência em adolescentes e adultos tem aumentado, muitas vezes devido à diminuição da imunidade vacinal ao longo do tempo. Em adultos, a doença pode ser subdiagnosticada devido à apresentação atípica, sem o 'guinchado' característico, mas com tosse prolongada e debilitante, o que a torna uma fonte importante de infecção para lactentes não vacinados, que correm maior risco de complicações graves e morte. A fisiopatologia envolve a adesão da bactéria ao epitélio respiratório e a produção de toxinas que causam inflamação e necrose. A tosse paroxística é resultado da irritação e da dificuldade de eliminar as secreções espessas. O diagnóstico em adultos é desafiador, baseando-se na suspeita clínica (tosse > 2 semanas, paroxística, com vômitos pós-tosse ou guinchado) e confirmado por PCR de secreção nasofaríngea, especialmente nas primeiras semanas da doença. A cultura é menos sensível em adultos. O tratamento com antibióticos macrolídeos é eficaz para erradicar a bactéria e reduzir a transmissibilidade, mas tem pouco efeito na duração ou gravidade da tosse se iniciado tardiamente. A prevenção é feita pela vacinação (dTpa), recomendada para adolescentes, adultos e gestantes, para proteger o recém-nascido. A conscientização sobre a coqueluche em adultos é vital para a saúde pública e para a proteção de populações vulneráveis.
A coqueluche em adultos geralmente segue três fases: catarral (1-2 semanas de sintomas inespecíficos como rinorreia e tosse leve), paroxística (2-6 semanas de tosse intensa, paroxística, com vômitos pós-tosse) e convalescença (melhora gradual da tosse, que pode persistir por semanas).
A coqueluche se diferencia pela natureza paroxística da tosse, a presença de vômitos pós-tosse e a ausência de resposta a tratamentos convencionais para tosse. O histórico de contato com crianças ou surtos é importante. Exames laboratoriais como PCR de secreção nasofaríngea podem confirmar o diagnóstico.
O tratamento de escolha é com macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou eritromicina), que são mais eficazes se iniciados na fase catarral ou no início da fase paroxística. O tratamento visa reduzir a transmissibilidade e a gravidade da doença, embora não cure a tosse já estabelecida.
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