Desenhos de Estudo: Identificando a Coorte Retrospectiva

Hospital Policlin - São José dos Campos (SP) — Prova 2016

Enunciado

Um artigo publicado no British Medical Journal, em 2005, 331, p.77-80, apresentou, em seu resumo, a seguinte informação: “Os objetivos do presente artigo são fornecer estimativas de risco de câncer após prolongadas baixas doses de radiação ionizante e fortalecer a base científica das normas de proteção contra radiação ambiental, ocupacional e exposições de diagnóstico médico. A proposta foi realizar um estudo multinacional de mortalidade por câncer, realizado por meio de dados de acompanhamento de trabalhadores de indústria nucleares em 15 países. A amostra foi composta por 407.391 trabalhadores monitorados individualmente para radiação externa, com um total de seguimento de 5,2 milhões de pessoas/ano. A avaliação dos principais resultados se deu por estimativas de excesso de riscos relativos por dose de radiação – sievert (Sv) - para a mortalidade de cânceres diferentes de leucemia (G1) e excluindo de leucemia linfocítica crônica (G2), sendo essas consideradas as principais causas de morte pelas autoridades de proteção contra radiações. Os resultados encontrados foram que o excesso de risco relativo do G1 foi de 0,97 por Sv, intervalo de confiança de 95% = 0,14 a 1,97. As analises de causas de morte relacionada ou não ao tabagismo indicam que, embora a confusão pelo tabagismo possa estar presente, é improvável que isso possa explicar todo aumento do risco. O excesso de risco relativo para a leucemia linfocítica crônica, excluindo leucemia, foi de 1,93 por Sv (<0 a 8,47). Com base nessas estimativas de 1 a 2% das mortes por câncer entre trabalhadores nesse estudo podem ser atribuíveis a radiação. Pode-se concluir que as estimativas apresentadas, a partir do maior estudo com trabalhadores nucleares já realizado, são superiores, mas estaticamente compatíveis com o risco estimado nos padrões atuais de proteção e radiação. Os resultados sugerem um pequeno risco de desenvolvimento de câncer, mesmo em baixas doses e taxas de doses normalmente recebidas pelos trabalhadores nucleares nesse estudo.” O desenho de estudo do trabalho apresentado é:

Alternativas

  1. A) Observacional coorte prospectiva.
  2. B) Observacional coorte retrospectiva. 
  3. C) Observacional ecológico. 
  4. D) Observacional transversal.
  5. E) Ensaio clínico randomizado.

Pérola Clínica

Coorte retrospectiva: parte da exposição passada e segue para o desfecho usando registros históricos.

Resumo-Chave

O estudo é uma coorte retrospectiva pois seleciona indivíduos com base na exposição (trabalhadores nucleares) e reconstrói o seguimento temporal através de registros para observar o desfecho (mortalidade).

Contexto Educacional

O entendimento dos desenhos de estudo é fundamental para a prática da Medicina Baseada em Evidências. A coorte retrospectiva permite analisar grandes populações ao longo de extensos períodos de tempo, como demonstrado no estudo do BMJ com mais de 400 mil trabalhadores. Neste contexto, a análise de 'pessoas-ano' e o 'excesso de risco relativo' são métricas cruciais para quantificar o impacto de exposições crônicas a baixas doses de radiação. Para o residente, identificar que o ponto de partida foi a ocupação (exposição) e o seguimento foi documental garante a correta classificação do estudo.

Perguntas Frequentes

O que define um estudo de coorte retrospectiva?

Um estudo de coorte retrospectiva, também conhecido como coorte histórica, define-se pela seleção de um grupo de indivíduos com base em uma exposição ocorrida no passado. A partir de registros médicos, ocupacionais ou bancos de dados, o pesquisador reconstrói a linha do tempo do grupo até o presente (ou um ponto específico no passado) para verificar a incidência de desfechos. Diferente da coorte prospectiva, onde o pesquisador aguarda o desfecho ocorrer no futuro, na retrospectiva os fatos já ocorreram, mas a lógica de análise permanece da causa (exposição) para o efeito (doença).

Qual a diferença entre coorte retrospectiva e caso-controle?

A principal diferença reside no critério de seleção dos participantes. Na coorte retrospectiva, os participantes são selecionados pelo status de exposição (ex: trabalharam em usinas nucleares) e o pesquisador busca saber quem adoeceu. No estudo de caso-controle, os participantes são selecionados pelo status do desfecho (ex: quem tem câncer vs. quem não tem) e o pesquisador investiga retrospectivamente se eles foram expostos a determinado fator. Embora ambos olhem para o passado, a coorte segue a cronologia exposição-desfecho, enquanto o caso-controle segue a cronologia desfecho-exposição.

Quais as vantagens da coorte retrospectiva em relação à prospectiva?

A coorte retrospectiva é geralmente mais rápida e barata, pois utiliza dados já coletados. É particularmente útil para estudar doenças com longo período de latência, como o câncer, onde um estudo prospectivo levaria décadas para ser concluído. No entanto, sua qualidade depende inteiramente da precisão dos registros históricos disponíveis, estando sujeita a vieses de informação e falta de controle sobre variáveis de confusão que não foram registradas na época da exposição original.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo