HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2018
O resumo abaixo descreve qual tipo de estudo? Objetivo: Descrever as características clínicas, laboratoriais e radiológicas de pacientes com refluxo vesicoureteral primário (RVU) e avaliar o curso clínico. Métodos: Dados foram obtidos dos prontuários dos pacientes portadores de RVU encaminhados entre 1969 a 2004. Foram registrados os seguintes dados: sexo, idade do diagnóstico da infecção urinária (ITU) e do RVU, pressão arterial, surtos de ITU, níveis de ureia e creatinina, tempo de seguimento e a evolução do refluxo. Os seguintes exames de imagem foram obtidos: ultra-sonografia (US), uretrocistografia miccional (UCM) e cintilografia renal. Para a comparação de frequências foi utilizado o teste do qui-quadrado. Foram calculados odds ratio (OR) e intervalo de confiança a 95% (IC 95%) para a comparação de risco. Resultados: Um total de 739 pacientes foi incluído na análise. Houve predomínio do sexo feminino (71%) e da cor branca (80%). A apresentação clínica inicial mais freqüente foi ITU (92,4%). O RVU foi bilateral em 385 (52%). Assim, um total de 1.124 unidades renais apresentada refluxo; 373 apresentavam cicatrizes renais na admissão. Do total de 739 pacientes, 677 (91,6%) foram abordados com tratamento conservador e 62 (8,4%) submetidos a procedimento cirúrgico. Os pacientes foram acompanhados por um tempo médio de 76 meses (DP= 55 meses). Durante o acompanhamento, 319 (43%) pacientes não apresentaram surtos de ITU. Hipertensão arterial foi detectada em 21 (2,8%) e insuficiência renal em 22 (3,0%) pacientes. Conclusão: O RVU é uma entidade clínica heterogênea. Nossa casuística mostra que a conduta conservadora é eficaz, mas independentemente da abordagem inicial esses pacientes devem ser acompanhados até a idade adulta, especialmente aqueles com nefropatia do refluxo. J Bras Nefrol 2005;27(3):110-115
Coorte retrospectiva = dados de prontuários do passado, acompanhamento de desfechos ao longo do tempo.
Um estudo de coorte retrospectiva identifica um grupo de indivíduos com uma característica comum (exposição ou condição) em um ponto no passado e acompanha seus desfechos utilizando dados já registrados, como prontuários médicos.
O desenho de estudo é um componente fundamental da pesquisa clínica, determinando a validade e a aplicabilidade dos resultados. Entre os estudos observacionais, a coorte retrospectiva é um tipo comum e valioso. Ela se caracteriza pela identificação de um grupo de indivíduos (a coorte) com base em registros de exposição ou condição em um ponto no passado, e a subsequente análise de seus desfechos ao longo do tempo, utilizando dados já coletados e armazenados, como prontuários médicos. Neste exemplo, os pesquisadores obtiveram dados de prontuários de pacientes com refluxo vesicoureteral primário (RVU) encaminhados entre 1969 e 2004. Isso indica que a exposição (ter RVU) e o início do acompanhamento ocorreram no passado, e os dados sobre a evolução clínica (surtos de ITU, hipertensão, insuficiência renal) foram extraídos retrospectivamente desses registros. A análise estatística de frequências e riscos (odds ratio) reforça a natureza analítica do estudo, indo além de uma simples descrição de casos. A principal vantagem da coorte retrospectiva é a eficiência, pois utiliza dados já existentes, economizando tempo e recursos. No entanto, está sujeita a limitações como a qualidade e completude dos registros, que podem não ter sido coletados com o propósito específico da pesquisa. É um desenho robusto para investigar a história natural de doenças e fatores prognósticos, como demonstrado no estudo sobre RVU.
Em um estudo de coorte retrospectiva, os pesquisadores identificam uma coorte de indivíduos com base em registros passados (ex: prontuários) e acompanham seus desfechos ao longo do tempo, utilizando também dados já existentes. A exposição ou condição de interesse já ocorreu no passado.
Na coorte prospectiva, a exposição é definida no presente, e os indivíduos são acompanhados para observar o desenvolvimento de desfechos futuros. Na retrospectiva, tanto a exposição quanto os desfechos já ocorreram, e os dados são coletados a partir de registros históricos.
É apropriado quando se deseja investigar a história natural de uma doença, a relação entre uma exposição e um desfecho raro, ou quando a coleta de dados prospectiva seria muito cara ou demorada. É particularmente útil para estudar condições com longos períodos de latência.
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