Coorte Retrospectiva: Entenda o Desenho de Estudo

HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2016

Enunciado

O resumo abaixo descreve qual tipo de estudo? Objetivo: Descrever as características clínicas, laboratoriais e radiológicas de pacientes com refluxo vesicoureteral primário(RVU) e avaliar o curso clínico. Métodos: Dados foram obtidos dos prontuários dos pacientes portadores de RVU encaminhados entre 1969 a 2004. Foram registrados os seguintes dados: sexo, idade do diagnóstico da infecção urinária (ITU) e do RVU, pressão arterial, surtos de ITU, níveis de ureia e creatinina, tempo de seguimento e a evolução do refluxo. Os seguintes exames de imagem foram obtidos: ultra-sonografia (US), uretrocistografia miccional (UCM) e cintilografia renal. Para a comparação de frequências foi utilizado o testo do qui-quadrado. Foram calculados Odds Ratio (OR) e intervalo de confiança a 95% (IC 95%) para a comparação de risco. Resultados: Um total de 739 pacientes foi incluído na análise. Houve predomínio do sexo feminino (71%) e da cor branca (80%). A apresentação clínica inicial mais frequente ITU(92,4%). O RVU foi bilateral em 385 (52%). Assim, um total de 1.124 unidades renais apresentava refluxo; 373 apresentavam cicatrizes renais na admissão. Do total de 739 pacientes, 677 (91,6%) foram abordados com tratamento conservador e 62(8,4%) submetidos a procedimento cirúrgico. Os pacientes foram acompanhados por um tempo médio de 76 meses (DP= 55 meses). Durante o acompanhamento, 319 (43%) pacientes não apresentaram surtos de ITU. Hipertensão arterial foi detectada em 21 (2,8%) e insuficiência renal em 22 (3,0%) pacientes. Conclusão: O RVU é uma entidade clínica heterogênea. Nossa casuística mostra que a conduta conservadora é eficaz, mas independentemente da abordagem inicial esses pacientes devem ser acompanhados até a idade adulta, especialmente aqueles com nefropatia do refluxo. J BrasNefrol 2005;27(3):110-115

Alternativas

  1. A) Coorte retrospectiva. 
  2. B) Coorte prospectiva.
  3. C) Série de casos
  4. D) Caso-controle.

Pérola Clínica

Coleta de dados passados de prontuários para acompanhar a evolução = Estudo de Coorte Retrospectiva.

Resumo-Chave

Um estudo de coorte retrospectiva identifica um grupo de indivíduos (coorte) com uma exposição ou condição em um ponto no tempo (no passado) e acompanha sua evolução através de registros já existentes, como prontuários, para observar desfechos futuros.

Contexto Educacional

Os estudos epidemiológicos são a base para a compreensão da distribuição e dos determinantes das doenças na população, sendo cruciais para a prática médica baseada em evidências. Dentre eles, os estudos de coorte são observacionais e acompanham um grupo de indivíduos (a coorte) ao longo do tempo para observar a ocorrência de desfechos. A coorte retrospectiva, em particular, utiliza dados já registrados, como prontuários, para reconstruir essa trajetória. Neste tipo de estudo, a coorte é definida no passado (ex: pacientes com RVU diagnosticados entre 1969 e 2004) e sua evolução é acompanhada até o presente, utilizando os registros disponíveis. Isso permite investigar a relação entre uma exposição (ex: ter RVU) e o desenvolvimento de desfechos (ex: ITU, hipertensão, insuficiência renal) ao longo de um período. A análise de prontuários é uma ferramenta comum para a coleta desses dados. A principal distinção de uma coorte retrospectiva é que, embora a coleta de dados ocorra no presente, os eventos (exposição e desfechos) já aconteceram. É um desenho eficiente para explorar a história natural de doenças e fatores prognósticos, mas depende criticamente da completude e acurácia dos registros médicos. A compreensão dos diferentes desenhos de estudo é essencial para a interpretação crítica da literatura médica e para a elaboração de pesquisas.

Perguntas Frequentes

Qual a principal característica de um estudo de coorte retrospectiva?

A principal característica é que a exposição ou condição de interesse e os desfechos já ocorreram no passado. Os pesquisadores utilizam dados pré-existentes, como prontuários, para identificar a coorte e acompanhar sua evolução ao longo do tempo, de forma 'para frente' no tempo, mas com dados já registrados.

Quais as vantagens e desvantagens de um estudo de coorte retrospectiva?

Vantagens incluem menor custo e tempo, e a possibilidade de estudar desfechos raros ou com longo período de latência. Desvantagens são a dependência da qualidade dos registros existentes, a dificuldade em controlar variáveis de confusão e a impossibilidade de coletar dados adicionais.

Como diferenciar uma coorte retrospectiva de um estudo caso-controle?

Na coorte retrospectiva, seleciona-se um grupo exposto e um não exposto (ou com e sem a condição inicial) e se observa a ocorrência de desfechos. No caso-controle, seleciona-se indivíduos com o desfecho (casos) e sem o desfecho (controles) e se investiga a exposição passada. A direção da investigação é o principal diferencial.

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