UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2018
No estudo britânico Whitehall II, uma subamostra de 550 adultos participantes realizou exames repetidos de imagens cerebrais, da avaliação da capacidade cognitiva e da ingesta alcoólica semanal. Após 30 anos de acompanhamento, o consumo elevado de álcool foi associado, de forma dose-dependente, à atrofia hipocampal. O desenho desse estudo é:
Acompanhamento de grupo exposto vs não exposto ao longo do tempo → desfecho = Coorte Prospectiva.
Estudos de coorte partem da exposição para observar a incidência do desfecho, sendo ideais para estabelecer causalidade temporal e risco relativo.
O estudo Whitehall II exemplifica a aplicação da epidemiologia longitudinal para entender doenças crônicas. Ao acompanhar funcionários públicos britânicos por décadas, o estudo permitiu correlacionar hábitos de vida, como o consumo de álcool, com alterações estruturais cerebrais medidas por imagem, estabelecendo uma relação dose-dependente. Para o médico residente, a compreensão dos desenhos de estudo é vital para a Medicina Baseada em Evidências. A coorte prospectiva oferece uma das evidências mais fortes entre os estudos observacionais, pois garante que a exposição precedeu o desfecho, um critério fundamental de Hill para causalidade. Saber identificar esse desenho ajuda na interpretação correta de riscos e benefícios discutidos na literatura científica.
É um estudo observacional e analítico onde um grupo de indivíduos (coorte) é selecionado e classificado conforme sua exposição a um fator de risco. Eles são acompanhados prospectivamente ao longo do tempo para verificar a incidência de um desfecho. É o desenho padrão-ouro para determinar risco relativo e temporalidade.
A coorte parte da causa (exposição) em direção ao efeito (desfecho), permitindo calcular a incidência. O caso-controle parte do efeito (pessoas já doentes) em direção à causa (investigação do passado), sendo retrospectivo por natureza e ideal para doenças raras ou com longo período de latência.
As principais limitações incluem o alto custo, a longa duração necessária para observar desfechos, a vulnerabilidade a perdas de seguimento (viés de seleção) e a ineficiência para estudar doenças raras. Além disso, por ser observacional, pode sofrer influência de variáveis de confusão não controladas.
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