UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2017
Em 1/2/2016, a epidemia pelo vírus Zika foi declarada emergência em saúde pública, de interesse internacional. No Rio de Janeiro, em 2015, 88 casos de gestantes com quadro febril exantemático foram seguidos pelo Instituto Evandro Chagas (FIOCRUZ-RJ). À entrada do estudo, foram coletados exames de PCR para Zika (real-time), e sorologias para Dengue. Semanalmente, as gestantes eram contactadas por telefone e visitas mensais realizadas com sorologias para infecções por transmissão vertical, além de ultrassonografia em três momentos da gestação. Das 88 gestantes, 72 (82%) tiveram resultados positivos para Zika. As demais foram positivas para Dengue ou tiveram sorologia negativa para ambas. Quanto aos desfechos perinatais, as gestantes Zika (+) tiveram 29% de alterações na ultrassonografia e dois óbitos fetais. As mulheres sem infeção por Zika não apresentaram alterações ultrassonográficas ou perdas fetais. O estudo acima caracteriza:
Exposição definida no início + acompanhamento longitudinal no tempo = Coorte Prospectiva.
O estudo parte de grupos expostos e não expostos para observar a incidência de desfechos ao longo do tempo, caracterizando uma coorte prospectiva.
Os desenhos de estudos epidemiológicos são fundamentais para a medicina baseada em evidências. O estudo descrito no enunciado é um exemplo clássico de coorte prospectiva, pois selecionou gestantes no início da gestação (ponto de partida), classificou-as segundo a exposição (Zika positivo ou negativo) e realizou um seguimento ativo (contatos semanais e visitas mensais) para observar o surgimento de desfechos (alterações ultrassonográficas e óbitos fetais). Diferente dos estudos transversais, que analisam exposição e desfecho simultaneamente, a coorte permite afirmar que a infecção pelo Zika ocorreu antes das alterações fetais. Comparado ao estudo de caso-controle, que é eficiente para doenças raras, a coorte é superior para avaliar exposições raras e fornecer estimativas diretas de risco. No contexto da epidemia de Zika, esse desenho foi crucial para estabelecer a relação causal entre o vírus e as malformações congênitas.
Um estudo de coorte é um desenho observacional e longitudinal onde os participantes são selecionados com base no seu status de exposição a um fator de risco ou agente (neste caso, o Zika vírus) e são acompanhados ao longo do tempo para verificar a ocorrência de um ou mais desfechos. Ele permite calcular a incidência da doença e o risco relativo, sendo ideal para estudar a história natural de uma condição e múltiplos efeitos de uma única exposição.
Na coorte prospectiva, o pesquisador inicia o estudo no presente, identifica os expostos e não expostos, e aguarda a ocorrência dos desfechos no futuro. Na coorte retrospectiva (ou histórica), tanto a exposição quanto o desfecho já ocorreram no momento em que o estudo começa; o pesquisador utiliza registros passados para reconstruir a trajetória dos participantes desde a exposição até o desfecho, mantendo a lógica de seguir da causa para o efeito.
As vantagens incluem a capacidade de estabelecer temporalidade (a exposição precede o desfecho), menor viés de memória e a possibilidade de medir a incidência diretamente. As limitações envolvem o alto custo, a longa duração necessária para o acompanhamento, a vulnerabilidade a perdas de seguimento (viés de atrito) e a ineficiência para estudar doenças muito raras ou com longos períodos de latência.
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