SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015
D. Rosa, 64 anos, diabética e com descontrole pressórico, veio para a consulta de rotina na USF. Relata ao médico que é acompanhada pelo endocrinologista e pelo cardiologista da Policlínica, mas que não sabe como anda sua glicose, pois apareceu uma ferida na sua perna que não quer cicatrizar. O médico fez o exame minucioso do pé e do ferimento, solicitou exames de rotina, prescreveu medicações para D. Rosa, encaminhou- a ao cirurgião vascular e marcou seu retorno. Após a consulta, o médico conversou com a ACS sobre a importância de acompanhar o agendamento e a realização dos exames e da consulta de D. Rosa, bem como realizar visitas domiciliares. Solicitou ao enfermeiro que orientasse sobre os cuidados com os pés e o ferimento da perna de D. Rosa. Registrou o caso para seu acompanhamento pessoal, incluindo os nomes dos colegas para que pudesse entrar e conversar sobre as condutas a serem indicadas. As atitudes tomadas pelo médico em relação aos demais colegas, à ACS e ao enfermeiro, nesse caso, estão relacionadas com um dos atributos da APS, denominado:
Sincronizar ações entre profissionais + Acompanhar fluxos na rede = Coordenação do Cuidado.
A coordenação do cuidado garante a continuidade e a integração das ações de saúde, organizando o fluxo do paciente entre diferentes níveis de atenção e profissionais.
Os atributos da Atenção Primária à Saúde (APS), propostos por Barbara Starfield, são divididos em essenciais (Acesso, Longitudinalidade, Integralidade e Coordenação) e derivados. A Coordenação é considerada o 'elo' que une os demais atributos, pois sem ela o sistema torna-se fragmentado e ineficiente. Na prática clínica, manifesta-se através do matriciamento, do uso de sistemas de informação compartilhados e da responsabilidade da equipe de referência pelo percurso do usuário na rede, garantindo que o cuidado seja contínuo e integrado.
A coordenação do cuidado é a capacidade da Atenção Primária de garantir a continuidade da atenção, integrando os serviços e as informações de saúde do paciente. Ela exige que o médico e a equipe de saúde acompanhem o paciente em seus diversos contatos com o sistema de saúde, organizando o fluxo entre os níveis primário, secundário e terciário. Isso envolve a gestão de prontuários, a comunicação entre especialistas e o monitoramento de exames e encaminhamentos, evitando a fragmentação do cuidado.
A longitudinalidade refere-se à existência de um aporte regular de cuidados ao longo do tempo, estabelecendo um vínculo de confiança entre o paciente e o profissional/equipe. Já a coordenação foca na articulação das diversas ações e serviços de que o paciente necessita, independentemente de onde sejam realizados. Enquanto a longitudinalidade constrói o histórico e o vínculo, a coordenação garante que esse histórico seja utilizado para guiar o paciente de forma eficiente pela rede de saúde.
A coordenação não é uma tarefa exclusiva do médico. O Agente Comunitário de Saúde (ACS) atua no monitoramento domiciliar e agendamentos, o enfermeiro realiza orientações específicas e gestão de casos, e outros profissionais integram as condutas. A comunicação interprofissional e o registro adequado em prontuário são ferramentas essenciais para que todos os membros da equipe falem a mesma língua e garantam que o plano terapêutico seja seguido sem lacunas.
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