FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Paciente masculino, 61 anos, foi atendido pelo médico da UBSF do seu bairro, relatando ter notado ""estrias de sangue nas fezes"" há três dias. Refere que houve mudança no seu hábito intestinal, com diarreias alternando com obstipação intestinal e que vem perdendo peso há três meses. Perguntado sobre doenças na família, referiu que o pai faleceu de ""câncer no intestino"". O médico solicitou hemograma, pesquisa de sangue oculto nas fezes, colonoscopia e o encaminhou para marcar os exames. Após quatro meses, o paciente retorna à Unidade de Saúde referindo que o sangramento anal aumentou, que sente muita fraqueza, perda de apetite e que teve um emagrecimento acentuado. O mesmo médico o atendeu e a conversa entre os dois foi assim:DOUTOR: - Bom dia. O Sr. realizou os exames que eu te pedi? PACIENTE: - Bom dia, doutor! Eu não fiz ainda. DOUTOR: - Como não fez? Assim não dá! Como vou saber o que o senhor tem?PACIENTE: - Desculpa, doutor! A culpa não foi minha. Marcaram os exames para daqui a seis meses, e eu só piorando. DOUTOR: - Infelizmente, sem os resultados dos exames não posso fazer nada. PACIENTE: - Paciência, né doutor, paciência. Vamos aguardar. Quem sabe Deus dá um jeitinho. Muito obrigado! Assim que conseguir os exames eu volto.Ao ler esta história fictícia, mas que acontece todos os dias em grande parte dos serviços de saúde do Brasil, qual a diretriz da Política Nacional de Atenção Básica que não foi levada em conta pelo médico e pela equipe de saúde da UBSF?
A coordenação do cuidado na PNAB garante que o paciente seja acompanhado em todos os níveis de atenção, evitando fragmentação e garantindo acesso a exames/especialistas.
A coordenação do cuidado é uma diretriz essencial da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que implica na responsabilidade da equipe de saúde em acompanhar o paciente em sua jornada pela rede de atenção, garantindo o acesso e a articulação entre os diferentes pontos de cuidado. No caso, a falha em monitorar o encaminhamento e o acesso aos exames demonstra a ausência dessa coordenação.
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) estabelece as diretrizes para a organização da Atenção Primária à Saúde (APS) no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Entre seus princípios e diretrizes fundamentais, a coordenação do cuidado é um pilar essencial para garantir a efetividade e a qualidade da assistência. Ela se refere à capacidade da APS de ser o centro de comunicação e organização do cuidado do paciente em toda a rede de atenção à saúde. No caso clínico apresentado, o médico da UBSF falhou gravemente na coordenação do cuidado. O paciente, com sintomas alarmantes sugestivos de câncer colorretal, foi encaminhado para exames, mas não houve um acompanhamento ativo por parte da equipe para garantir que esses exames fossem realizados e que o paciente tivesse acesso oportuno. A atitude do médico de se eximir da responsabilidade pela demora e pelo agravamento do quadro demonstra uma clara desarticulação entre a APS e os outros níveis de atenção. A coordenação do cuidado implica que a equipe da Atenção Básica deve monitorar o paciente em sua jornada, desde o encaminhamento para especialistas ou exames até o retorno à UBSF, garantindo a continuidade e a integralidade da assistência. A ausência dessa coordenação resulta em fragmentação do cuidado, atrasos diagnósticos e terapêuticos, e, em última instância, prejuízo à saúde do paciente, como ilustrado na história. É um desafio constante no SUS, mas uma diretriz inegociável para uma APS resolutiva.
A coordenação do cuidado na Atenção Básica refere-se à capacidade da equipe de saúde em organizar o fluxo do paciente na rede de atenção, garantindo que ele receba o cuidado necessário em diferentes níveis e serviços. Isso inclui o acompanhamento de encaminhamentos, exames e retornos, evitando a fragmentação do cuidado.
A integralidade do cuidado é o princípio de que o sistema de saúde deve oferecer um conjunto completo de ações de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, considerando o indivíduo em sua totalidade. A coordenação do cuidado é a estratégia para operacionalizar essa integralidade, garantindo que o paciente transite de forma fluida e acompanhada por todos os pontos da rede que necessita.
A falha na coordenação do cuidado pode levar à descontinuidade do tratamento, atraso no diagnóstico, perda de exames, duplicidade de procedimentos e, como no caso apresentado, agravamento da doença. O paciente se sente desamparado e o sistema se torna ineficiente, comprometendo a qualidade e a resolutividade da atenção à saúde.
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