Coordenação do Cuidado e o Papel da APS no SUS

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Um homem com 70 anos de idade sentiu mal-estar durante discussão familiar com o filho em casa e procura Unidade Básica de Saúde de referência, onde faz acompanhamento com médico de família, para aferir a pressão arterial (PA). Após aferição da pressão arterial = 160 x 90 mmHg, o técnico de enfermagem informa que não há mais vagas na agenda do médico. Então , a família decide levar o paciente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde o médico prescreve captopril (25 mg). A pressão arterial normaliza após cerca de 40 minutos, e o paciente é liberado com encaminhamento com cardiologista e nefrologista. No que se refere ao atendimento prestado a esse paciente, assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) O fluxo de encaminhamentos está correto porque casos graves como o descrito devem ser tratados em níveis de atenção de maior complexidade tecnológica.
  2. B) A Atenção Primária deve ser a porta de entrada do sistema de saúde, devendo atender a todos, o que determina que esse paciente fosse incluído na agenda no médico.
  3. C) O médico da UPA deveria ter referenciado o paciente para seguimento na Atenção Primária, pois esse nível de atenção é o responsável pela coordenação do cuidado.
  4. D) Como há pouca disponibilidade de exames complementares na Atenção Primária, o médico da UPA seguiu os trâmites de regionalização em saúde para a Atenção Terciária.

Pérola Clínica

APS = Coordenadora do Cuidado → Todo atendimento em urgência (UPA) deve ser referenciado de volta à APS.

Resumo-Chave

A Atenção Primária é o centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde, responsável por coordenar o seguimento longitudinal do paciente, mesmo após episódios agudos em outros níveis.

Contexto Educacional

A organização do Sistema Único de Saúde (SUS) baseia-se em Redes de Atenção à Saúde (RAS), onde a Atenção Primária à Saúde (APS) exerce o papel fundamental de centro de comunicação. Os atributos essenciais da APS incluem o acesso de primeiro contato, a longitudinalidade, a integralidade e a coordenação do cuidado. No cenário clínico apresentado, o paciente idoso com um pico hipertensivo reativo ao estresse foi atendido pontualmente na urgência (UPA). Embora a conduta imediata de baixar a pressão tenha sido realizada, a falha do sistema ocorre na fragmentação: a UBS não ofereceu o acesso (acolhimento) e a UPA encaminhou para especialistas sem garantir o retorno ao médico de família. A coordenação do cuidado exige que a APS seja informada sobre o evento agudo para ajustar o manejo crônico do paciente.

Perguntas Frequentes

O que significa a APS ser a 'coordenadora do cuidado'?

Significa que a Atenção Primária à Saúde (APS) deve ser capaz de acompanhar o fluxo do paciente pelos diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS), integrando as informações e garantindo a continuidade do tratamento. Independentemente de onde o paciente foi atendido (UPA, hospital ou especialista), a equipe de Saúde da Família deve receber a contrarreferência para gerenciar o plano terapêutico a longo prazo, evitando a fragmentação do cuidado e exames redundantes.

Qual a conduta correta da UPA após estabilizar uma urgência hipertensiva?

Após a estabilização clínica de uma urgência hipertensiva (como o uso de captopril para reduzir a PA sem lesão de órgão-alvo aguda), o médico da UPA deve orientar o paciente e realizar a contrarreferência para a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. O seguimento ambulatorial para ajuste de anti-hipertensivos, investigação de causas secundárias e mudança de estilo de vida é competência precípua da Atenção Primária, que possui o atributo da longitudinalidade.

Por que o encaminhamento direto para especialistas pode estar incorreto?

O encaminhamento direto para cardiologistas ou nefrologistas sem passar pela regulação ou sem a coordenação da APS pode gerar filas desnecessárias e perda do vínculo. A maioria dos casos de hipertensão arterial sistêmica pode e deve ser manejada integralmente na APS. O especialista deve ser acionado apenas em casos de hipertensão resistente, suspeita de hipertensão secundária complexa ou lesões de órgão-alvo graves, sempre mantendo o compartilhamento do cuidado com a equipe de família.

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