UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2015
Paciente, 29 anos, dá entrada no serviço de emergência devido a quadro convulsivo com características tônico-clônicas há 30 minutos. Familiares referem história de perda ponderal importante nos últimos meses e há 2 dias perda de força em membro superior direito. Você solicita, entre outros exames, o teste rápido para HIV, que resulta como positivo. Qual a melhor conduta nesse caso?
Convulsão + HIV + déficits focais → TC crânio após estabilização para investigar lesão expansiva.
Em paciente HIV positivo com quadro convulsivo e sinais neurológicos focais (perda de força), a principal preocupação é uma lesão expansiva intracraniana. A conduta inicial é estabilizar o paciente e, em seguida, realizar uma neuroimagem (TC de crânio) para identificar a etiologia e guiar o tratamento específico.
Pacientes HIV positivos, especialmente aqueles com imunossupressão avançada, são suscetíveis a diversas complicações neurológicas, incluindo infecções oportunistas e neoplasias. Convulsões e déficits neurológicos focais, como a perda de força em um membro, são sinais de alerta que indicam a necessidade de uma investigação rápida e precisa para identificar a etiologia subjacente. A perda ponderal significativa também sugere doença avançada ou crônica. A conduta inicial em um paciente com crise convulsiva é sempre a estabilização clínica, garantindo vias aéreas, respiração e circulação adequadas, e administrando anticonvulsivantes se necessário. Após a estabilização, a prioridade é a realização de uma neuroimagem, preferencialmente uma tomografia computadorizada (TC) de crânio. A TC é fundamental para descartar lesões expansivas intracranianas, como abscessos (frequentemente por Toxoplasma gondii) ou linfomas primários do sistema nervoso central, que são causas comuns de convulsões e déficits focais nessa população. O tratamento empírico de infecções oportunistas sem uma imagem prévia pode atrasar o diagnóstico correto ou levar a terapias inadequadas. A punção lombar, embora importante para o diagnóstico de meningites, é contraindicada na presença de lesões expansivas com efeito de massa, devido ao risco de herniação cerebral. Portanto, a sequência correta é estabilização, neuroimagem e, então, direcionamento da investigação e tratamento.
As principais causas incluem neurotoxoplasmose, linfoma primário do SNC, leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP), neurocriptococose, tuberculose do SNC e, menos comumente, neurosífilis ou AVC.
A TC de crânio é crucial para identificar lesões expansivas intracranianas, como abscessos (toxoplasmose) ou tumores (linfoma), que são comuns em pacientes HIV imunocomprometidos e que podem causar convulsões e déficits focais. Isso permite direcionar o tratamento específico.
A punção lombar deve ser considerada após exclusão de lesão expansiva intracraniana por neuroimagem (para evitar herniação cerebral) e é indicada para investigar meningites (criptocócica, tuberculosa) ou outras infecções do SNC não visíveis na TC.
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