UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Recém-nascido (RN) do sexo masculino, a termo e adequado para a idade gestacional, nascido de parto cesáreo de urgência, por bradicardia fetal à cardiotocografia e com presença de líquido meconial espesso. O RN nasceu em apneia, cianótico, hipotônico e foi intubado durante a assistência na sala de parto. Foi transferido para a UTI Neonatal, onde permaneceu por cinco dias, sendo três deles em ventilação mecânica. Mãe com 22 anos, sem intercorrências no pré-natal. Atualmente está na Unidade de Cuidados Intermediários, no 9º dia de vida, usando ampicilina e gentamicina para tratamento de sepse neonatal precoce presumida. Recebe dieta por sonda orogástrica devido à sucção débil, já em treinamento com a equipe de fonoaudiologia. Você é chamado para avaliar movimentos com início há cerca de 2 minutos, ritmados, de mãos e de pés, associados à hipertonia, cianose perioral, eversão do olhar e sialorreia. O RN já está monitorado, em uso de oxigênio a 100%. A glicemia capilar é de 82 mg/dL. Está correta a prescrição imediata de
Convulsão neonatal → Fenobarbital é 1ª linha para crise aguda após correção de causas metabólicas.
O quadro clínico (movimentos rítmicos, hipertonia, cianose perioral, eversão do olhar, sialorreia) é altamente sugestivo de convulsão neonatal. A glicemia capilar normal (82 mg/dL) afasta hipoglicemia como causa imediata, e a história de asfixia perinatal (bradicardia fetal, líquido meconial, apneia ao nascer) é um fator de risco importante para encefalopatia hipóxico-isquêmica, uma causa comum de convulsões.
As convulsões neonatais representam uma emergência neurológica comum em recém-nascidos, com uma incidência de 1 a 5 por 1000 nascidos vivos. Elas são um sinal de disfunção cerebral aguda e podem ter consequências graves no desenvolvimento neurológico a longo prazo. A identificação precoce e o tratamento adequado são cruciais para minimizar o dano cerebral. O diagnóstico de convulsão neonatal é primariamente clínico, mas pode ser desafiador devido à natureza sutil das manifestações. É fundamental diferenciar convulsões de outros movimentos paroxísticos não epilépticos. A investigação deve incluir a busca por causas metabólicas, infecciosas, estruturais e hipóxico-isquêmicas, com exames como glicemia, eletrólitos, gasometria, hemocultura, líquor e neuroimagem. O manejo inicial de uma crise convulsiva neonatal envolve a estabilização do paciente e a correção de quaisquer distúrbios metabólicos agudos. O fenobarbital é o anticonvulsivante de primeira linha, administrado em dose de ataque intravenosa. Se as convulsões persistirem, outras opções incluem fenitoína ou benzodiazepínicos, como o midazolam, como terapia de segunda linha.
As convulsões neonatais podem ser sutis, manifestando-se como movimentos rítmicos de membros, desvios oculares, apneia, cianose perioral, sialorreia ou movimentos orofaciais. A hipertonia também pode estar presente.
Após descartar e corrigir causas metabólicas (como hipoglicemia ou hipocalcemia), o fenobarbital é o fármaco de primeira escolha para o tratamento agudo das convulsões neonatais, administrado em dose de ataque.
As causas mais comuns incluem encefalopatia hipóxico-isquêmica, hemorragia intracraniana, infecções (sepse, meningite), distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipocalcemia, hiponatremia) e malformações cerebrais.
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