Convulsão Febril Simples: Conduta e Critérios Diagnósticos

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Lactente com 1 ano e dez meses apresenta quadro gripal há 24 horas. Ao exame físico, a criança está febril (39,3 ℃) e apresenta exantema em tronco. Ela apresentou, há 30 minutos, crise tônico-clônica generalizada com duração de 30 segundos. Avó questiona sobre a necessidade de realização de tomografia computadorizada de crânio. No momento, não há quaisquer alterações ao exame neurológico. Há histórico de que o pai da criança apresentou quadro de convulsão febril na primeira infância. A orientação mais correta a ser dada à família é que:

Alternativas

  1. A) Deverá ser realizado exame de imagem caso ocorra novo quadro de febre alta.
  2. B) Não há necessidade de realização de exame de imagem, apenas eletroencefalograma.
  3. C) Não há necessidade de realização de exames complementares, por se tratar de quadro de convulsão febril simples.
  4. D) Será realizada tomografia computadorizada de crânio com contraste e eletroencefalograma após o tratamento da infecção viral.

Pérola Clínica

Crise febril simples (6m-5a, <15min, generalizada, 1x em 24h) → Não requer exames de imagem ou EEG.

Resumo-Chave

A convulsão febril simples é benigna, autolimitada e não exige investigação exaustiva com neuroimagem ou EEG se o exame neurológico for normal.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum da infância, ocorrendo em 2-5% das crianças. A fisiopatologia envolve uma vulnerabilidade do cérebro imaturo ao aumento rápido da temperatura corporal. Na maioria dos casos, o foco da investigação deve ser a causa da febre (como infecções virais das vias aéreas superiores ou exantema súbito) e não a convulsão em si. O papel do médico é tranquilizar a família sobre a natureza benigna do evento, orientar sobre o manejo da febre e observar o estado geral da criança. O uso de anticonvulsivantes profiláticos não é recomendado para crises simples devido ao balanço desfavorável entre riscos e benefícios.

Perguntas Frequentes

O que define uma convulsão febril como simples?

Uma convulsão febril é classificada como simples quando é generalizada (geralmente tônico-clônica), dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em um período de 24 horas em uma criança previamente hígida entre 6 meses e 5 anos de idade, e não apresenta déficit pós-ictal prolongado.

Quando a neuroimagem é indicada na crise febril?

A neuroimagem (TC ou RM) só é indicada se houver suspeita de lesão estrutural, sinais de hipertensão intracraniana, exame neurológico focal, macrocefalia ou se a crise for classificada como complexa (focal, prolongada >15min ou recorrente em 24h) com evolução atípica.

Existe risco de epilepsia após uma crise febril simples?

O risco de desenvolver epilepsia após uma crise febril simples é apenas ligeiramente superior ao da população geral (cerca de 1-2%). Fatores que aumentam esse risco incluem anormalidades neurológicas prévias, histórico familiar de epilepsia e crises febris complexas.

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