Convulsão Febril Simples: Diagnóstico e Conduta Pediátrica

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 2 anos e 3 meses de idade foi levado pela mãe, desesperada, ao pronto atendimento. A criança apresentou um episódio de crise convulsiva em casa, em que se contorceu toda, debateu-se, ficou desacordada, um pouco roxa e salivando, mas logo retomou a consciência. A crise durou cerca de 3 minutos. Agora, passados 15 minutos, o paciente está levemente sonolento. Nunca havia apresentado algo parecido antes. Sempre foi um garoto saudável. Durante o dia, estava bem, porém inapetente e só reclamou de dor para engolir. Nega tosse, vômitos, diarreia, cefaleia. Ao exame físico, encontra-se febril (39,5 ºC), taquipneico leve, taquicárdico FC = 143 bpm, pulsos amplos, com boa perfusão periférica. Observam-se ausculta cardiopulmonar normal, abdome inocente, sem sinais meníngeos ou localizatórios, com pupilas isocóricas isofotorreagentes, orofaringe com hiperemia e placas purulentas em amígdalas, e cadeia ganglionar cervical anterior aumentada. Depois de aproximadamente 20 minutos, a criança já estava bem alerta e com temperatura de 38,3 ºC (havia tomado dipirona no caminho de casa para o hospital). Com base nesse caso clínico e considerando o quadro convulsivo apresentado por esse paciente, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Como a crise ocorreu em vigência de febre, deve ser colhido líquor para análise microbiológica e afastamento da hipótese de meningite.
  2. B) Na ocasião da alta, o paciente deve ser encaminhado para realização de eletroencefalograma e tomografia de crânio.
  3. C) Trata-se de convulsão febril simples e não há indicação de anticonvulsivante profilático nesse momento.
  4. D) Deveria ser administrado diazepam à admissão, pois o paciente estava sonolento ainda.
  5. E) Trata-se de crise de ausência e está indicada profilaxia com ácido valproico preferencialmente.

Pérola Clínica

Convulsão febril simples: <15 min, generalizada, 1x/24h, sem déficit pós-ictal focal. Não requer profilaxia.

Resumo-Chave

A convulsão febril simples é um evento benigno e autolimitado, comum em crianças de 6 meses a 5 anos, associado à febre sem infecção do SNC. Caracteriza-se por ser generalizada, durar menos de 15 minutos e ocorrer apenas uma vez em 24 horas. Não há indicação de investigação invasiva ou profilaxia anticonvulsivante contínua.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. É definida como uma crise convulsiva que ocorre em associação com febre (temperatura ≥ 38°C), na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou história prévia de convulsões afebris. A idade típica de ocorrência é entre 6 meses e 5 anos, com pico por volta dos 18 meses. É importante diferenciar a convulsão febril simples da complexa e de outras causas de convulsão. A fisiopatologia não é completamente compreendida, mas acredita-se que a imaturidade do cérebro infantil, combinada com a rápida elevação da temperatura corporal, leve a uma desregulação da excitabilidade neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. A convulsão febril simples é caracterizada por ser generalizada, durar menos de 15 minutos, ocorrer apenas uma vez em 24 horas e não deixar déficits neurológicos focais. A presença de faringoamigdalite purulenta no caso indica uma causa infecciosa para a febre, mas não para a convulsão em si. O tratamento agudo da convulsão febril envolve medidas de suporte e, se a crise for prolongada, o uso de benzodiazepínicos. Para a convulsão febril simples, não há indicação de investigação extensiva (como EEG ou TC de crânio) ou de profilaxia anticonvulsivante contínua, pois o prognóstico é excelente e o risco de epilepsia futura é baixo. O manejo foca no controle da febre e na tranquilização dos pais, explicando a natureza benigna do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma convulsão febril simples?

Uma convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em um período de 24 horas e não está associada a déficits neurológicos focais pós-ictais. A criança deve ter entre 6 meses e 5 anos de idade e a febre não deve ser causada por infecção do SNC.

Quando é indicada a punção lombar em um caso de convulsão febril?

A punção lombar não é indicada rotineiramente para convulsão febril simples. É considerada em lactentes < 12 meses, na presença de sinais meníngeos, estado pós-ictal prolongado ou atípico, ou se o status vacinal para Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae for incompleto.

Há indicação de tratamento anticonvulsivante profilático para convulsão febril simples?

Não há indicação de tratamento anticonvulsivante profilático contínuo para convulsão febril simples, pois os riscos dos medicamentos superam os benefícios em termos de prevenção de futuras crises ou epilepsia. O manejo foca no controle da febre e na educação dos pais.

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