SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024
Uma criança de 18 meses de vida é levada ao pronto-socorro após um episódio de convulsão tônico-clônica generalizada com duração de aproximadamente dois minutos, seguida de sonolência. Chegou ao hospital cerca de uma hora após o evento agudo, dormindo em todo o trajeto. No atendimento inicial, verificou-se Tax = 40 ºC, ela foi medicada com antitérmico e deixada em repouso. Ao acordar, realizou exame neurológico com resultado normal. Ao exame físico, apresenta hiperemia de orofaringe e lesões aftosas em palato. Em relação ao diagnóstico dessa paciente, assinale a alternativa correta.
Convulsão febril simples: <15min, generalizada, 1x/24h, sem déficit neurológico pós-ictal.
A sonolência pós-ictal é um achado comum e esperado após uma crise convulsiva, não sendo um critério para classificar uma convulsão febril como complexa. Os critérios de complexidade incluem duração >15 minutos, caráter focal ou mais de uma crise em 24 horas.
A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma convulsão associada à febre, sem evidência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico ou história de convulsões afebris prévias. Sua importância clínica reside na necessidade de diferenciar de condições mais graves e tranquilizar os pais, que frequentemente se preocupam com epilepsia. O diagnóstico da convulsão febril é clínico, baseado nos critérios de idade, presença de febre e exclusão de outras causas. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema nervoso central em resposta a um rápido aumento da temperatura corporal. O exame neurológico após a recuperação da crise deve ser normal. A presença de sinais de infecção viral, como hiperemia de orofaringe e lesões aftosas, corrobora a etiologia infecciosa subjacente à febre. O tratamento agudo foca no controle da crise (se ainda presente) e da febre. O prognóstico da convulsão febril simples é excelente, com baixo risco de epilepsia ou déficits neurológicos. A recorrência é possível em quadros infecciosos posteriores, mas não altera o bom prognóstico. A internação para investigação extensiva geralmente não é necessária para convulsões febris simples, a menos que haja sinais de alerta para outras condições.
Uma convulsão febril simples é caracterizada por ser generalizada, ter duração inferior a 15 minutos, ocorrer apenas uma vez em um período de 24 horas e não estar associada a déficits neurológicos focais ou doença neurológica pré-existente.
Não, a sonolência após uma convulsão (período pós-ictal) é um achado comum e esperado. Ela não indica gravidade ou que a convulsão seja complexa, desde que a criança retorne ao seu estado neurológico basal normal após o período de recuperação.
A investigação para outras causas, como meningite, deve ser considerada se houver sinais de alerta como rigidez de nuca, abaulamento de fontanela, letargia persistente, convulsão focal, ou se a criança for muito jovem (especialmente < 6 meses), mesmo que a convulsão se encaixe nos critérios de simples.
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