Convulsão Febril em Crianças: Diagnóstico e Manejo

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2019

Enunciado

Criança sem patologia prévia, 2 anos e 6 meses de idade, chega ao pronto-socorro com história de convulsão tônico-clônica generalizada com resolução espontânea após 2 minutos de duração. É a primeira crise e a mãe refere que estava gripada, com coriza. Ao exame, apresentava temperatura de 38,5°C, sem outras alterações. A conduta correta é:

Alternativas

  1. A) Solicitar liquor.
  2. B) Fazer uma dose de fenobarbital IM para prevenir nova crise.
  3. C) Levar em consideração o quadro clínico bom, duração da febre, da história familiar e idade, antes de tomar qualquer decisão
  4. D) Entrar com ceftriaxona IV imediatamente.
  5. E) Dar alta imediata.

Pérola Clínica

Convulsão febril simples (<15min, generalizada, 1x/24h) em criança 6m-5a → bom prognóstico, não requer investigação extensa.

Resumo-Chave

A convulsão febril simples é um evento comum e benigno em crianças de 6 meses a 5 anos, caracterizada por uma crise tônico-clônica generalizada de curta duração (<15 minutos), que ocorre uma única vez em 24 horas, na presença de febre e sem infecção do SNC ou histórico de epilepsia. A avaliação deve focar em excluir causas mais graves e tranquilizar os pais.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. Ocorre tipicamente entre os 6 meses e os 5 anos de idade, associada à febre (temperatura > 38°C) e na ausência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico agudo ou história de convulsões afebris prévias. É importante diferenciar a convulsão febril simples da complexa, pois o manejo e o prognóstico são distintos. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à elevação rápida da temperatura. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. A convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos e ocorre uma única vez em 24 horas. A complexa pode ser focal, durar mais de 15 minutos ou ocorrer múltiplas vezes em 24 horas. É crucial excluir outras causas de convulsão com febre, como meningite ou encefalite, especialmente em lactentes. O tratamento agudo foca em garantir a segurança da criança e controlar a febre. Não há indicação de anticonvulsivantes profiláticos para convulsão febril simples. A educação dos pais sobre a natureza benigna do quadro, o manejo da febre e os sinais de alerta para buscar atendimento médico é fundamental. O risco de recorrência é de cerca de 30-35%, e o risco de desenvolver epilepsia é apenas ligeiramente maior do que na população geral.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar uma convulsão febril como simples?

Uma convulsão febril é classificada como simples se for tônico-clônica generalizada, durar menos de 15 minutos, ocorrer apenas uma vez em um período de 24 horas e não houver sinais de infecção do sistema nervoso central ou histórico de epilepsia.

Quando é indicada a realização de punção lombar em um caso de convulsão febril?

A punção lombar não é rotineiramente indicada em convulsões febris simples. Deve ser considerada em crianças menores de 12 meses, naquelas com sinais meníngeos ou alteração do estado mental persistente, ou se houver suspeita clínica de meningite/encefalite.

Qual o prognóstico de uma criança que teve uma convulsão febril simples?

O prognóstico da convulsão febril simples é excelente. Não há evidências de que cause dano cerebral, atraso no desenvolvimento ou aumento do risco de epilepsia em longo prazo, embora haja um pequeno risco de recorrência de convulsões febris.

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