Convulsão Febril Simples: Diagnóstico e Manejo Inicial

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Criança de 4 anos de idade, no pronto-socorro, com relato de que há 1 O minutos apresentou episódio de hipertonia seguida de clonias dos quatro membros, com cerca de 3 minutos de duração. Pais relatam que lactente está com febre e coriza há 24 horas, mantendo-se ativo, com boa ingesta hídrica e alimentar, sem outras queixas. Negam comorbidades, uso de medicações ou crises convulsivas prévias. Exame físico: sonolento, mas despertável ao estímulo verbal, febril (38,3°), hidratado, normocorado, eupneico. Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações. Pupilas isocóricas e fotorreagentes, motricidade ocular extrínseca preservada, sem déficits focais, sem sinais de irritação meníngea. A conduta inicial é:

Alternativas

  1. A) Solicitar tomografia de crânio e parecer do neuropediatra.
  2. B) Solicitar eletroencefalograma e parecer do neuropediatra.
  3. C) Administrar antitérmico e orientar a família sobre o diagnóstico de convulsão febril.
  4. D) Realizar punção lombar e iniciar antibioticoterapia empírica, pela risco de meningite.

Pérola Clínica

Criança 6m-5a, febre, convulsão tônico-clônica <15min, sem foco neurológico → Convulsão Febril Simples.

Resumo-Chave

O quadro descrito é clássico de convulsão febril simples: criança entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada com duração <15 minutos, associada à febre, sem déficits focais ou sinais de irritação meníngea. A conduta inicial é sintomática para a febre e orientação familiar, sem necessidade de exames invasivos ou de imagem de rotina.

Contexto Educacional

A convulsão febril é a crise convulsiva mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. É definida como uma crise convulsiva que ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, associada à febre (temperatura > 38°C), sem evidência de infecção intracraniana ou causa metabólica, e sem histórico de crises afebris prévias. A maioria é do tipo simples, caracterizada por ser generalizada (tônico-clônica), de curta duração (<15 minutos) e ocorrer apenas uma vez em 24 horas. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. No caso apresentado, a criança de 4 anos com febre, crise tônico-clônica de 3 minutos, sem déficits focais ou sinais de irritação meníngea, se encaixa perfeitamente nos critérios de convulsão febril simples. É fundamental diferenciar de outras condições mais graves, como meningite ou encefalite, que exigiriam investigação e tratamento específicos. A conduta inicial para convulsão febril simples é o controle da febre com antitérmicos e a tranquilização e orientação da família. Não há indicação de exames complementares de rotina como tomografia de crânio, eletroencefalograma ou punção lombar, a menos que haja atipicidades (crise focal, duração prolongada, sinais meníngeos, alteração do estado de consciência persistente, idade atípica ou imunização incompleta). O prognóstico da convulsão febril simples é excelente, sem sequelas neurológicas ou aumento significativo do risco de epilepsia.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnosticar uma convulsão febril simples?

Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada com duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas uma crise em 24 horas, e ausência de déficits neurológicos focais ou sinais de infecção do sistema nervoso central.

Quando é indicada a realização de punção lombar em casos de convulsão febril?

A punção lombar é indicada em crianças com sinais de irritação meníngea, alteração do nível de consciência persistente, ou em lactentes menores de 12 meses, especialmente se não imunizados para Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae, devido ao maior risco de meningite atípica.

Qual a orientação para os pais após um episódio de convulsão febril?

Os pais devem ser orientados sobre a benignidade da condição, a baixa taxa de recorrência, a ausência de sequelas neurológicas e a importância de controlar a febre. Devem ser instruídos sobre o que fazer durante uma nova crise e quando procurar atendimento médico.

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