Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2022
Considere um menino de 4 anos a caminho da Unidade de Saúde da Família (USF) por causa de um quadro de febre e coriza, iniciado naquele meio-dia, quando “desmaiou” no colo de sua mãe, dentro do ônibus, já próximo ao destino. Até então, ele nunca havia apresentado esse tipo de evento. A criança chegou à USF com rigidez em braços e pernas, seguida de movimentos clônicos. Seus sinais vitais eram os seguintes: Temp.: 38,9°C, FR: 28irpm, sem esforço e FC: 136bpm. Não havia sinais ou sintomas de doenças neurológicas. O diagnóstico MAIS PROVÁVEL do paciente, considerando os dados apresentados, é:
Convulsão febril simples: < 15 min, generalizada, única em 24h, sem déficits pós-ictais, em criança 6m-5a.
Uma convulsão febril simples ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, é generalizada, dura menos de 15 minutos, não se repete em 24 horas e não está associada a infecção do SNC ou distúrbio metabólico. O caso se encaixa perfeitamente nesses critérios.
A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. É definida como uma crise convulsiva associada à febre (temperatura > 38°C) em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, sem evidência de infecção intracraniana, distúrbio metabólico ou história prévia de crise afebril. A fisiopatologia exata não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a imaturidade cerebral e a predisposição genética desempenhem um papel. Existem dois tipos principais: simples e complexa. A convulsão febril simples, como no caso apresentado, é caracterizada por ser generalizada (tônico-clônica), ter duração inferior a 15 minutos e ocorrer apenas uma vez em um período de 24 horas. Não há déficits neurológicos pós-ictais prolongados. A complexa, por sua vez, pode ser focal, durar mais de 15 minutos ou ocorrer em múltiplos episódios em 24 horas. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É fundamental excluir outras causas de convulsão, como meningite, encefalite ou distúrbios metabólicos. O prognóstico da convulsão febril simples é geralmente excelente, com baixo risco de epilepsia futura. O manejo inicial foca no controle da febre e no suporte durante a crise.
Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada, duração inferior a 15 minutos, ocorrência de uma única crise em 24 horas e ausência de infecção do sistema nervoso central ou distúrbio metabólico.
A convulsão febril complexa difere por ser focal, ter duração superior a 15 minutos, ou ocorrer em múltiplas crises dentro de 24 horas. A simples é sempre generalizada, breve e única.
É crucial descartar infecções do SNC (meningite, encefalite) ou outras condições neurológicas subjacentes, pois estas exigem tratamento específico e têm prognóstico diferente da convulsão febril benigna.
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