Convulsão Febril Simples: Diagnóstico e Conduta Pediátrica

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 3 anos de idade é admitido na emergência desacordado. O pai relata que, há 15 minutos, a criança apresentou convulsão tônico-clônica generalizada, com duração aproximada de 7 minutos. Relata que a criança apresentou tosse e coriza há 24 horas, com febre iniciada junto à convulsão. Nega antecedentes patológicos e uso de medicações prévias. A caderneta de vacinação está atualizada. Ao exame clínico, o paciente encontra-se sonolento, com escala de coma de Glasgow 13, corado, com respiração regular. Permaneceu em observação por uma hora, mantendo-se ativo e sem alterações ao exame clínico. Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Paciente com convulsão febril clássica. Deve-se dar alta para seguimento com pediatria geral e tranquilizar o pai sobre possíveis danos neurológicos.
  2. B) Paciente com episodio de convulsão grave, com crise complexa. Deve ser medicado e aguardar avaliação pela neurologia pediátrica.
  3. C) Paciente com provável convulsão febril. Deve-se realizar investigação etiológica com eletroencefalograma, pois convulsão febril é diagnóstico de exclusão.
  4. D) Paciente com episódio de convulsão grave, com crise convulsiva prolongada. Deve ser internado para investigação etiológica com coleta de líquor e eletroencefalograma.

Pérola Clínica

Convulsão febril simples: 6m-5a, tônico-clônica generalizada <15min, única em 24h, sem doença neurológica prévia.

Resumo-Chave

A convulsão febril clássica (ou simples) é um evento benigno que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, associada à febre, sem causa intracraniana identificável e com recuperação completa. Não causa danos neurológicos permanentes e não requer investigação extensa, permitindo alta após observação e orientação.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. Ocorre tipicamente entre os 6 meses e os 5 anos de idade, sendo definida como uma convulsão associada à febre (temperatura >38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico ou história de convulsões afebris prévias. É crucial para o residente diferenciar a convulsão febril simples da complexa e de outras causas de convulsão. A fisiopatologia da convulsão febril não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma predisposição genética e a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à elevação rápida da temperatura. O diagnóstico da convulsão febril simples é clínico: crise tônico-clônica generalizada, duração inferior a 15 minutos, única em 24 horas, e recuperação completa em pouco tempo. A presença de tosse e coriza sugere uma infecção viral comum como gatilho da febre. O manejo da convulsão febril simples envolve principalmente o controle da febre e a observação. Exames complementares como eletroencefalograma (EEG), tomografia computadorizada (TC) ou punção lombar (líquor) não são rotineiramente indicados para convulsões febris simples, a menos que haja sinais de alerta para infecção do SNC ou outras condições. O prognóstico é excelente, com baixo risco de recorrência e sem evidências de danos neurológicos a longo prazo, sendo fundamental tranquilizar os pais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma convulsão febril simples?

Uma convulsão febril simples ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, é generalizada (tônico-clônica), tem duração inferior a 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não está associada a infecção do sistema nervoso central ou doença neurológica pré-existente.

A convulsão febril simples causa danos neurológicos permanentes ou aumenta o risco de epilepsia?

Não, a convulsão febril simples é um evento benigno e não causa danos neurológicos permanentes. Embora haja um pequeno aumento no risco de desenvolver epilepsia no futuro, esse risco é baixo e não é diretamente causado pela convulsão febril em si.

Qual a conduta após um episódio de convulsão febril simples?

Após um episódio de convulsão febril simples, a criança deve ser observada até a recuperação completa. Não são necessários exames complementares extensos. A conduta inclui controle da febre e orientação aos pais sobre a benignidade do quadro e como agir em futuras crises.

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