HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2024
Criança de 2 anos e 1 mês, sexo feminino, foi trazida pela mãe ao pronto atendimento devido a quadro de convulsão. Mãe relata que, há cerca de 10 minutos, paciente apresentou perda da consciência e contrações tônico-clônicas generalizadas por cerca de 5 minutos e que agora encontra-se sonolenta. Refere também que está com quadro de gripe (tosse, coriza e febre) há 2 dias e que apresentou o quadro descrito logo após ter administrado dipirona à criança, por estar com febre de 38,7 °C. Nega episódios convulsivos anteriores. Ao exame físico, criança febril (38 °C), sonolenta e irritada. FR: 34 ipm; FC: 136 bpm; boa perfusão periférica, sem sinais meníngeos e sem outras alterações. Entre as opções abaixo, a melhor conduta é:
Convulsão febril simples = criança 6m-5a, crise tônico-clônica generalizada <15min, única em 24h, sem sinais neurológicos focais.
A criança apresenta critérios clássicos de convulsão febril simples: idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada de curta duração, associada à febre, e sem sinais de infecção do SNC ou histórico prévio de convulsões afebris. A conduta inicial é observação e orientação.
A convulsão febril simples é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. Ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, associada à febre (geralmente >38°C) e na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris. É caracterizada por ser uma crise tônico-clônica generalizada, de curta duração (tipicamente <15 minutos), e única em um período de 24 horas. A fisiopatologia envolve a imaturidade do cérebro infantil, que é mais suscetível a descargas elétricas anormais em resposta a aumentos rápidos da temperatura corporal. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, que deve excluir sinais de meningite ou encefalite. É fundamental diferenciar a convulsão febril simples da convulsão febril complexa (duração >15 min, focal, múltiplas crises em 24h) e de outras causas de convulsão. A conduta no pronto atendimento, após a estabilização da criança e exclusão de causas graves, é a observação clínica por um período de 4 a 6 horas. Não há indicação para iniciar tratamento anticonvulsivante profilático ou realizar exames complementares como EEG, TC de crânio ou punção lombar de rotina. A alta é dada com orientações claras aos pais sobre o controle da febre, a natureza benigna da convulsão febril e a importância de procurar atendimento médico em caso de recorrência ou sinais de alerta. O prognóstico é excelente, sem aumento do risco de epilepsia ou déficits neurológicos a longo prazo.
Os critérios incluem idade entre 6 meses e 5 anos, crise tônico-clônica generalizada com duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas uma crise em 24 horas, e ausência de sinais de infecção do sistema nervoso central ou histórico prévio de convulsões afebris.
Após estabilização e exclusão de causas mais graves, a conduta é observação clínica por algumas horas, controle da febre e alta com orientações aos pais sobre a natureza benigna da condição e como agir em futuras crises.
Não, exames como eletroencefalograma (EEG) e tomografia computadorizada (TC) de crânio não são indicados rotineiramente após uma convulsão febril simples, pois não alteram o manejo nem o prognóstico. A punção lombar é considerada apenas se houver suspeita de meningite.
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