Convulsão Febril Simples: Diagnóstico e Manejo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Médico de plantão na UPA admite um paciente de 1 ano e 7 meses de idade com história de primeiro episódio convulsivo de duração breve e resolução espontânea, há cerca de 20 minutos. Na admissão, encontrava-se em estado pós-ictal e com temperatura axilar de 38,5oC, sem outras alterações no exame físico. História familiar com avó epilética e pais saudáveis. Assinale a alternativa que melhor representa o caso descrito acima com a respectiva conduta.

Alternativas

  1. A) Trata-se de uma convulsão febril benigna/ iniciar fenobarbital contínuo.
  2. B) Trata-se de uma provável infecção de sistema nervoso central / coletar líquor e iniciar ceftriaxona.
  3. C) O paciente é portador de epilepsia familiar / tratamento com valproato de sódio.
  4. D) Trata-se de uma convulsão febril benigna / conduta expectante.
  5. E) O diagnóstico mais provável é encefalite viral/ tratamento com aciclovir endovenoso.

Pérola Clínica

Convulsão febril simples: <5 anos, febre, 1 episódio <15min, generalizada, sem alteração neurológica → conduta expectante.

Resumo-Chave

Convulsões febris simples são comuns em crianças de 6 meses a 5 anos, associadas à febre e sem causa intracraniana. O primeiro episódio breve e generalizado, com recuperação rápida e exame físico normal, geralmente não requer investigação extensa ou tratamento medicamentoso contínuo.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre (temperatura > 38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou história de convulsão afebril prévia. A compreensão de seus critérios diagnósticos e manejo é fundamental para residentes de pediatria e emergência. O diagnóstico de convulsão febril simples baseia-se em critérios clínicos: idade entre 6 meses e 5 anos, crise generalizada, duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas um episódio em 24 horas e ausência de doença neurológica prévia ou infecção do SNC. A fisiopatologia envolve a imaturidade cerebral e a resposta a picos febris. A história familiar de convulsão febril é um fator de risco, mas não indica epilepsia familiar no contexto de uma convulsão febril simples. A conduta para uma convulsão febril simples é predominantemente expectante e de suporte. Não se recomenda o uso contínuo de anticonvulsivantes para prevenção, devido aos potenciais efeitos adversos e à natureza benigna da condição. O tratamento foca no controle da febre com antitérmicos e na orientação dos pais sobre o prognóstico favorável e os sinais de alerta para buscar atendimento médico. A investigação com punção lombar é reservada para casos atípicos ou quando há suspeita de infecção do SNC.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma convulsão febril simples?

Uma convulsão febril simples ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, é generalizada, dura menos de 15 minutos, não se repete em 24 horas e não está associada a infecção do SNC ou doença neurológica prévia.

Qual a conduta inicial para um paciente com convulsão febril simples?

A conduta inicial é de suporte, focando no controle da febre e observação. Não há necessidade de exames complementares extensos ou medicação anticonvulsivante contínua.

Quando devo suspeitar de uma convulsão febril complexa ou outra etiologia?

Suspeite de convulsão febril complexa se a crise for focal, durar mais de 15 minutos, ocorrer mais de uma vez em 24 horas, ou se houver sinais de infecção do SNC ou alteração neurológica.

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