INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021
Uma lactente do sexo feminino, de 18 meses de idade, chega para atendimento em Unidade Básica de Saúde. A mãe informa que, há 3 dias, a criança apresentou quadro de convulsão tônico-clônica generalizada acompanhada de versão ocular, liberação de esfíncter vesical e sialorreia, com duração de aproximadamente 10 minutos. No momento, apresentava temperatura axilar de 38° C. Foi levada ao pronto atendimento, onde chegou sem crise e recebeu alta após 4 horas com diagnóstico de resfriado comum. O episódio convulsivo não se repetiu e a criança está afebril há 48 horas. A mãe relata episódio semelhante aos 11 meses de idade. A criança não apresenta outros antecedentes pessoais ou familiares relevantes. O seu desenvolvimento neuropsicomotor é normal e o exame clínico não apresenta alterações. Considerando os dados clínicos da paciente, essa criança apresenta
Convulsão febril simples: <15min, generalizada, única em 24h, sem déficit pós-ictal, criança 6m-5a.
A convulsão febril simples é um evento benigno que ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, associada à febre, com duração menor que 15 minutos, de caráter generalizado, sem recorrência em 24 horas e sem déficits neurológicos pós-ictais. O caso descrito se encaixa nesses critérios, apesar de ser o segundo episódio.
A convulsão febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças. É definida como uma crise convulsiva associada à febre (temperatura >38°C) em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, sem evidência de infecção do sistema nervoso central (SNC) ou história prévia de convulsões afebris. É crucial diferenciar a convulsão febril simples da complexa, pois o prognóstico e a conduta são distintos. Os critérios para convulsão febril simples incluem: ser generalizada (tônico-clônica), duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas um episódio em 24 horas e ausência de déficits neurológicos pós-ictais. O caso da lactente de 18 meses, com episódio tônico-clônico generalizado de 10 minutos, sem repetição em 48h e desenvolvimento normal, se encaixa perfeitamente nesses critérios, mesmo sendo o segundo episódio. A recorrência é comum (cerca de 30-40% dos casos). O prognóstico da convulsão febril simples é excelente, com risco mínimo de desenvolver epilepsia (similar à população geral) e sem impacto no desenvolvimento neuropsicomotor. O manejo consiste em orientar os pais sobre o controle da febre e as medidas de segurança durante a crise. Não há indicação de exames complementares extensos (EEG, TC de crânio) de rotina ou de profilaxia medicamentosa contínua para prevenir futuras crises febris ou epilepsia. O acompanhamento de rotina na Unidade Básica de Saúde é suficiente.
Uma convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em um período de 24 horas, e a criança não apresenta déficits neurológicos pós-ictais. A idade típica é entre 6 meses e 5 anos.
A convulsão febril complexa difere da simples por ser focal, ter duração superior a 15 minutos, ocorrer mais de uma vez em 24 horas ou estar associada a déficits neurológicos pós-ictais.
Os pais devem ser orientados sobre a natureza benigna do quadro, a importância do controle da febre e como agir durante uma nova crise (colocar a criança de lado, proteger a cabeça, não tentar conter a língua). Não há necessidade de medicação profilática contínua.
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