Convulsão Febril Simples: Manejo e Orientação Familiar

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021

Enunciado

Luiza 2 anos e 3 meses chega à Unidade de Saúde acompanhado da mãe Juliana para avaliação pelo MFC Carlos. Ela relata que há 01 dia a criança iniciou com coriza,inapetência e febre não aferida. Há cerca de 01 hora relata que a criança apresentou crise convulsiva com perda da consciência acompanhada de cianose labial e movimentos tônico clônicos com duração de cerca de 2 minutos e recuperação espontânea. A criança não apresenta antecedentes patológicos. Nega história de epilepsia na família. Ao exame criança febril (Taxilar 39ºC), ativa e reativa, com ligeira hiperemia de orofaringe e coriza hialina, sem sinais de irritação meníngea, auscultação e otoscopia sem alteração. Além de controlar a febre com antitérmicos, o próximo passo do MFC Carlos seria:

Alternativas

  1. A) Orientar a mãe que a criança precisará ser encaminhada para Unidade de Pronto Atendimento para exames complementares
  2. B) Orientar a mãe sobre a benignidade do quadro e a possibilidade de recorrência da crise
  3. C) Iniciar anticonvulsivante profilático por pelo menos 06 meses
  4. D) Solicitar ambulatorialmente investigação laboratorial e eletroencefalograma

Pérola Clínica

Convulsão febril simples: quadro benigno, orientar pais sobre recorrência e controle da febre.

Resumo-Chave

A crise convulsiva febril simples é um evento benigno e autolimitado, comum em crianças pequenas (6 meses a 5 anos) com febre. O manejo inicial foca no controle da febre e, crucialmente, na orientação dos pais sobre a natureza benigna do quadro e o baixo risco de epilepsia, além da possibilidade de recorrência.

Contexto Educacional

A convulsão febril é um evento neurológico comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre, na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris prévias. A maioria dos casos são convulsões febris simples, que são benignas e autolimitadas. Os critérios para convulsão febril simples incluem: crise tônico-clônica generalizada, duração inferior a 15 minutos, ocorrência de apenas uma crise em 24 horas e ausência de características focais. A fisiopatologia está relacionada à imaturidade cerebral e à resposta do cérebro à elevação rápida da temperatura. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, que deve excluir outras causas de convulsão. O manejo da convulsão febril simples é primariamente de suporte, com controle da febre através de antitérmicos. O ponto mais importante é a orientação familiar, explicando a benignidade do quadro, o baixo risco de sequelas neurológicas ou de desenvolvimento de epilepsia, e a possibilidade de recorrência (cerca de 30-35%). Não há indicação de exames complementares de rotina (EEG, neuroimagem) ou de profilaxia anticonvulsivante contínua para convulsão febril simples.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma convulsão febril ser considerada "simples"?

Uma convulsão febril simples é tônico-clônica generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não tem características focais.

Qual a principal orientação para os pais após uma convulsão febril simples?

A principal orientação é tranquilizar os pais sobre a benignidade do quadro, explicar a possibilidade de recorrência e instruir sobre o controle da febre e o que fazer durante uma nova crise.

A convulsão febril simples aumenta o risco de epilepsia?

Não, a convulsão febril simples não aumenta significativamente o risco de desenvolver epilepsia. O risco é ligeiramente maior em casos de convulsão febril complexa ou histórico familiar.

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