HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2020
Criança previamente hígida, 11 meses de idade, chega ao pronto socorro com história de convulsão tônico-clônica generalizada com resolução espontânea após alguns poucos minutos. Nega episódios anteriores, mas refere coriza e irritabilidade desde a manhã, sem outras queixas. Ao exame físico, verifica-se temperatura de 38,5ºC, sem outras alterações. Assinale a alternativa correta quanto à conduta:
Convulsão febril simples: avaliar clinicamente antes de condutas invasivas ou profiláticas. Não é emergência epiléptica.
A primeira crise convulsiva febril em uma criança previamente hígida, com resolução espontânea e febre, exige uma avaliação clínica cuidadosa para descartar causas mais graves. A decisão por exames complementares ou tratamento profilático deve ser individualizada, considerando fatores como idade, características da crise e história familiar.
A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças. Ocorre tipicamente entre 6 meses e 5 anos de idade, associada à febre, sem evidência de infecção intracraniana ou causa metabólica. É crucial para o residente saber diferenciar a convulsão febril simples da complexa e de outras condições mais graves que cursam com febre e convulsão, como meningite ou encefalite, que exigem investigação e tratamento urgentes. A fisiopatologia da convulsão febril não é totalmente compreendida, mas envolve uma predisposição genética e a imaturidade do sistema nervoso central, que se torna mais suscetível a descargas neuronais anormais em resposta à elevação da temperatura. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico. É importante investigar a causa da febre e avaliar o estado neurológico da criança após a crise. A maioria das convulsões febris tem bom prognóstico e não causa sequelas neurológicas. O tratamento agudo foca no controle da crise (se persistente) e da febre. A profilaxia contínua com anticonvulsivantes não é recomendada para convulsões febris simples devido aos efeitos adversos e à benignidade da condição. A educação dos pais sobre a natureza da convulsão febril e como agir em caso de recorrência é um pilar fundamental do manejo. A decisão por exames complementares, como a punção lombar, deve ser individualizada e baseada em critérios clínicos rigorosos.
Uma convulsão febril simples é uma crise tônico-clônica generalizada, com duração menor que 15 minutos, que ocorre uma única vez em 24 horas, em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, associada à febre, sem infecção do sistema nervoso central ou história prévia de crise afebril.
A punção lombar não é rotineiramente indicada em convulsão febril simples. É considerada em crianças menores de 12 meses, na presença de sinais de meningismo, alteração do estado mental persistente, ou se a criança não estiver com vacinação em dia para Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae.
A conduta inicial envolve garantir a segurança da criança durante a crise, controlar a febre e realizar uma avaliação clínica detalhada para identificar a causa da febre e descartar infecções do SNC ou outras condições. A observação é fundamental, e a medicação profilática não é recomendada para convulsões febris simples.
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