Convulsão Febril Simples: Características e Manejo Pediátrico

SMA Volta Redonda - Secretaria Municipal de Saúde (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Uma criança com dois anos e quatro meses é trazida à emergência por ter presentado crise convulsiva generalizada tônico-clônica, por cerca de 5 minutos, terminando espontaneamente há 10 minutos. Três dias antes passou a apresentar tosse muito discreta e coriza cristalina, tendo iniciado febre baixa (38,5°C) que se mantém, há menos de 12 horas. Mesmo com febre se mantinha em bom estado geral, se alimentado bem. Nunca apresentou quadro semelhante, não usou medicação e um primo mais velho tem epilepsia. Não há alteração no exame físico. Assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) de uma forma geral este tipo de crise é de curta duração e generalizadas.
  2. B) este acometimento é considerado como fator de risco alto para epilepsia.
  3. C) como se tratou de crise complexa, deve ser usado medicação profilática.
  4. D) esta criança apresenta risco moderado para anormalidades neurológicas.
  5. E) deve internar e realizar eletroencefalograma para esclarecer o tipo de crise.

Pérola Clínica

Convulsão febril simples: < 5 anos, febre, crise generalizada < 15 min, sem anormalidades neurológicas. Geralmente benigna.

Resumo-Chave

Convulsões febris simples são eventos comuns e benignos na infância, ocorrendo em crianças de 6 meses a 5 anos com febre, sem infecção do SNC ou história de convulsões afebris. Caracterizam-se por serem generalizadas e de curta duração.

Contexto Educacional

A convulsão febril é a crise convulsiva mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre, na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou história de convulsões afebris. A maioria é do tipo simples, sendo um evento benigno. A fisiopatologia não é totalmente compreendida, mas acredita-se que a imaturidade cerebral em conjunto com a elevação rápida da temperatura corporal e a predisposição genética desempenhem um papel. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exclusão de outras causas. É crucial diferenciar a convulsão febril simples da complexa (focal, >15 min, múltiplas em 24h) e de outras condições mais graves. O manejo agudo visa garantir a segurança da criança e controlar a crise, se ainda presente. Após a crise, a avaliação deve focar na causa da febre. Não há indicação de medicação profilática diária para convulsões febris simples. O prognóstico é excelente, com baixo risco de sequelas neurológicas ou desenvolvimento de epilepsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma convulsão febril ser considerada "simples"?

Uma convulsão febril simples é generalizada (tônico-clônica), dura menos de 15 minutos, ocorre uma única vez em 24 horas e não está associada a infecção do sistema nervoso central ou anormalidades neurológicas pré-existentes.

Qual o risco de uma criança com convulsão febril simples desenvolver epilepsia?

O risco é baixo, similar ao da população geral (cerca de 1-2%). Fatores como convulsão febril complexa, anormalidades neurológicas pré-existentes ou história familiar de epilepsia podem aumentar ligeiramente o risco.

É necessário realizar eletroencefalograma (EEG) após uma primeira convulsão febril simples?

Não, o EEG não é rotineiramente recomendado após uma primeira convulsão febril simples em crianças com desenvolvimento normal, pois não prediz o risco de recorrência ou de epilepsia.

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