Convulsão Febril Simples: Manejo e Orientação Familiar

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Na consulta de puericultura de uma criança de 3 anos, a mãe refere estar preocupada porque a filha apresentou primeiro episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada há 1 semana, e o médico do pronto-socorro não realizou exames, uma vez que a convulsão ocorreu em vigência de febre, melhorou em poucos minutos após a administração de benzodiazepínico e que o exame físico da criança estava normal. Desde então, a criança está bem, assintomática. Frente a essa preocupação materna, a conduta indicada é:

Alternativas

  1. A) solicitar tomografia de crânio, uma vez que foi o primeiro episódio, devendo ser descartada presença de hipertensão intracraniana.
  2. B) encaminhar a criança ao neuropediatra para realizar investigação, dada a idade tardia de início do quadro.
  3. C) prescrever fenobarbital profilático até os 6 anos de idade, para evitar recorrência.
  4. D) tranquilizar a mãe e orientar sobre o manejo dos episódios febris, uma vez que a evolução costuma ser benigna.

Pérola Clínica

Convulsão febril simples: benigna, não requer investigação extensa nem profilaxia contínua.

Resumo-Chave

A convulsão febril simples é um evento benigno, comum em crianças de 6 meses a 5 anos, associada à febre sem infecção do SNC. Não exige investigação complementar extensa (como TC de crânio) nem tratamento profilático contínuo, sendo a orientação familiar e o manejo da febre as condutas mais importantes.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o tipo mais comum de crise convulsiva na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre, na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou história de convulsões afebris prévias. A maioria dos casos são convulsões febris simples, que possuem um prognóstico benigno e não estão associadas a um risco aumentado de epilepsia ou déficits neurológicos. O diagnóstico de convulsão febril simples é clínico, baseado nos critérios de idade, tipo de crise (tônico-clônica generalizada), duração (<15 minutos), frequência (única em 24h) e ausência de focalidade. A fisiopatologia envolve uma predisposição genética e a imaturidade do SNC em resposta à elevação rápida da temperatura. Exames complementares, como punção lombar, exames de imagem ou eletroencefalograma, não são indicados de rotina para convulsões febris simples, mas podem ser considerados em casos atípicos ou quando há sinais de infecção do SNC. A conduta principal para a convulsão febril simples é tranquilizar os pais e orientá-los sobre o manejo da febre e o que fazer durante uma nova crise. Não há indicação de profilaxia medicamentosa contínua para prevenir recorrências, pois os riscos superam os benefícios. O prognóstico é excelente, com a maioria das crianças se desenvolvendo normalmente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma convulsão febril ser considerada simples?

Uma convulsão febril simples é tônico-clônica generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre apenas uma vez em 24 horas e não tem características focais. A criança retorna ao normal após a crise.

Qual a conduta inicial para os pais durante um episódio de convulsão febril?

Os pais devem colocar a criança de lado para evitar aspiração, proteger a cabeça, afrouxar roupas e não tentar conter a crise. Buscar atendimento médico se a crise durar mais de 5 minutos.

É necessário realizar exames de imagem ou EEG após uma convulsão febril simples?

Não, exames de imagem (TC, RM) e EEG não são indicados de rotina após uma convulsão febril simples, pois não alteram o prognóstico nem a conduta. A investigação é reservada para casos atípicos.

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