Convulsão Febril em Crianças: Manejo e Orientações

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Lactente de 1 ano e 10 meses chega ao pronto-socorro em crise convulsiva focal com duração de 20 minutos. A mãe relata que a criança se manteve febril nos últimos dois dias, mas sem outros sintomas significativos, além de irritabilidade e recusa alimentar. Ela conta que esta é a segunda vez que o bebê apresenta uma convulsão durante um quadro febril. Sinais vitais: FC: 130 bpm, FR: 30 ipm, SatO₂: 96%, PA: 90 × 60 mmHg e temperatura axilar: 39.2 °C. A criança está responsiva a estímulos verbais, com exame neurológico normal. Exames complementares mostram hemograma com leucocitose discreta sem desvio à esquerda, glicemia, eletrólitos, cálcio, fósforo e magnésio dentro dos valores normais. Diante da hipótese diagnóstica, a conduta adequada para o paciente é:

Alternativas

  1. A) Iniciar ácido valproico para prevenção de futuras crises.
  2. B) Indicar antipiréticos, observar a criança sem anticonvulsivante e orientar os pais.
  3. C) Administrar diazepam intravenoso imediatamente.
  4. D) Realizar punção lombar logo após para investigar meningite.
  5. E) Solicitar ressonância magnética de crânio e iniciar antibióticos empíricos.

Pérola Clínica

Convulsão febril: manejo agudo é suporte e antipiréticos; profilaxia anticonvulsivante não é rotina.

Resumo-Chave

Em convulsão febril, a conduta inicial foca no controle da febre e observação. Anticonvulsivantes de manutenção não são indicados rotineiramente devido aos riscos superarem os benefícios na prevenção de futuras crises ou epilepsia. A orientação aos pais sobre o prognóstico benigno é crucial.

Contexto Educacional

A convulsão febril é a crise convulsiva mais comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre, na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris prévias. A compreensão de seu manejo é crucial para residentes, pois é uma condição frequente em pronto-socorros pediátricos. A fisiopatologia envolve a imaturidade do cérebro infantil e a resposta inflamatória à febre, que diminui o limiar convulsivo. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exclusão de outras causas. As convulsões febris podem ser simples (generalizadas, <15 minutos, sem recorrência em 24h) ou complexas (focais, >15 minutos, ou múltiplas em 24h). A questão descreve uma convulsão febril complexa devido à duração e focalidade, mas o manejo agudo e a ausência de sinais de infecção do SNC direcionam a conduta. O tratamento agudo visa controlar a crise (se ainda presente) com benzodiazepínicos e reduzir a febre com antipiréticos. A profilaxia contínua com anticonvulsivantes não é recomendada devido aos efeitos adversos e ao prognóstico geralmente benigno da condição, com baixo risco de desenvolvimento de epilepsia. A orientação aos pais sobre a natureza benigna da convulsão febril e como agir em futuras crises é um pilar fundamental da conduta.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma convulsão febril?

Uma convulsão febril é uma crise convulsiva associada à febre (>38°C), na ausência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris prévias. Ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos.

Qual a conduta inicial para uma criança com convulsão febril?

A conduta inicial inclui garantir a segurança da criança, controlar a febre com antipiréticos e observar. Se a crise for prolongada (>5 minutos), pode-se usar benzodiazepínicos para abortar a crise.

Quando é indicada a punção lombar em casos de convulsão febril?

A punção lombar não é rotineiramente indicada para convulsões febris simples. Deve ser considerada em crianças com sinais de meningite, estado pós-ictal prolongado, ou em lactentes < 12 meses, especialmente se não imunizados para Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae.

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