Convulsão Febril: Diagnóstico, Manejo e Prognóstico Infantil

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

No centro de saúde (CS), enquanto aguardava consulta médica na sala de espera, a criança de 2 anos, acompanhada pela mãe, apresentou perda de consciência associada a contrações seguidas de clônus em membros superiores e inferiores, sialorréia e liberação de esfíncter urinário. Imediatamente, o residente de medicina de família e comunidade foi chamado para prestar socorro e quando chegou a criança já não apresentava tais movimentos, encontrava-se acordada, responsiva, porém sonolenta. A agente comunitária de saúde que presenciou o evento relatou ao residente que a "crise" havia durado cerca de 4 minutos. Ao fazer a aferição dos sinais vitais, nota que: frequência cardíaca = 110 bpm, frequência respiratória = 29 mrm, saturação de oxigênio = 99% em ar ambiente e temperatura = 39º Celsius. A mãe da criança nega episódios semelhantes anteriormente, nega comorbidades conhecidas ou uso de medicamentos. Refere que aguardava atendimento para avaliação dos sintomas de gripe iniciados há 2 dias, porém está muito assustada e com medo de seu filho apresentar novos episódios como este ou ter problemas neurológicos sérios, pois recentemente seu sobrinho de 6 anos recebeu diagnóstico de epilepsia e tem tido dificuldade no controle das crises. Com relação à convulsão febril, ilustrada no caso acima, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Trata-se de um distúrbio convulsivo provocado, cujo agente provocador é a febre (com temperatura acima de 38ºC) devido ao baixo limiar convulsivante cortical em desenvolvimento; no caso acima, há uma crise com duração menor que 15 minutos e generalizada que pode ser classificada como convulsão febril complexa.
  2. B) Devido à preocupação materna, deve-se orientar que há um aumento no risco de desenvolvimento de epilepsia, principalmente com histórico familiar positivo, por isso há indicação de solicitar o eletroencefalograma (EEG) para confirmação diagnóstica e benefício de iniciar tratamento farmacológico contínuo, sendo valproato o medicamento de escolha.
  3. C) É importante identificar o processo infeccioso desencadeante da convulsão febril, como no caso a apresentação de provável síndrome gripal, e realizar entrevista clínica e exame físico adequados para exclusão de outros agentes provocadores agudos associados, bem como de outros diagnósticos diferenciais.
  4. D) Sabe-se que há uma alta taxa de recorrência das crises e, na ausência de profilaxia, as crianças afetadas podem evoluir com lesões estruturais no sistema nervoso central ou ter problemas de aprendizado, por isso há benefício no tratamento farmacológico contínuo e a profilaxia de escolha para novas crises é a terapia antipirética.

Pérola Clínica

Convulsão febril: Crise provocada por febre em < 5 anos. Excluir outras causas. Baixo risco de epilepsia.

Resumo-Chave

A convulsão febril é um distúrbio benigno comum na infância, desencadeado por febre em crianças de 6 meses a 5 anos. É crucial excluir outras causas de convulsão e infecções do SNC. O risco de epilepsia após uma convulsão febril simples é baixo, e o tratamento farmacológico contínuo não é indicado.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o distúrbio convulsivo mais comum na infância, afetando cerca de 2% a 5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É definida como uma crise convulsiva associada à febre (temperatura > 38°C) na ausência de infecção do sistema nervoso central (SNC), distúrbio metabólico agudo ou histórico de convulsões afebris. Embora assustadora para os pais, a maioria das convulsões febris é benigna e tem um excelente prognóstico. O diagnóstico da convulsão febril é de exclusão. É crucial diferenciar entre convulsão febril simples (generalizada, duração < 15 minutos, única em 24h) e complexa (focal, duração > 15 minutos, ou múltiplas em 24h). O caso apresentado é uma convulsão febril simples. A investigação deve focar na identificação da causa da febre e na exclusão de infecções do SNC, como meningite, especialmente em crianças menores de 12 meses ou com sinais de alerta. O manejo agudo envolve garantir a segurança da criança e controlar a crise, se ainda presente. Após a crise, a prioridade é identificar e tratar a causa da febre. Não há indicação de tratamento anticonvulsivante contínuo para prevenir recorrências ou o desenvolvimento de epilepsia, pois o risco é baixo e os efeitos adversos dos medicamentos superam os benefícios. A orientação familiar é fundamental para tranquilizar os pais e explicar a natureza benigna do quadro, além de fornecer instruções sobre o manejo da febre e o que fazer em caso de nova crise.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de uma convulsão febril simples e complexa?

Uma convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos e ocorre apenas uma vez em 24 horas. A convulsão febril complexa é focal, dura mais de 15 minutos ou ocorre múltiplas vezes em 24 horas. O caso descrito é uma convulsão febril simples.

Qual a importância de identificar o processo infeccioso desencadeante da convulsão febril?

É fundamental identificar e tratar o processo infeccioso subjacente à febre, como uma síndrome gripal, e excluir outras causas mais graves de convulsão, como meningite ou encefalite, que exigiriam condutas específicas e urgentes.

A convulsão febril aumenta significativamente o risco de epilepsia?

A convulsão febril simples tem um risco muito baixo de desenvolver epilepsia (cerca de 1%). Fatores de risco para um aumento discreto incluem convulsão febril complexa, histórico familiar de epilepsia e anormalidades neurológicas pré-existentes. Não há indicação de tratamento farmacológico contínuo para prevenção de epilepsia.

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