Convulsão Febril Atípica: Quando Realizar Punção Lombar?

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Lactente de sete meses, sexo masculino, teve início súbito de febre (tax: 38,9ºC), acompanhada de convulsão tônico- ciônica generalizada, que durou 10 minutos. No hospital, o exame físico mostra tax: 38,5ºC, sinais vitais estáveis, sonolência alternada com irritabilidade e ausência de sinais neurológicos focais. Cerca de 40 minutos após sua chegada ao hospital, o paciente evoluiu para inconsciência. A conduta imediata é:

Alternativas

  1. A) Realizar punção lombar;
  2. B) Iniciar antibioticoterapia;
  3. C) Investigar laboratorialmente sepse;
  4. D) Tranquilizar os pais sobre a crise febril;
  5. E) Aplicar dose de ataque de fenobarbital IV;

Pérola Clínica

Convulsão febril prolongada ou com alteração de consciência pós-ictal → Investigar infecção SNC (punção lombar).

Resumo-Chave

Em lactentes com convulsão febril prolongada (>5 min) ou que evoluem com alteração persistente do nível de consciência após a crise, é mandatório investigar causas mais graves, como meningite ou encefalite, através da punção lombar, mesmo na ausência de sinais meníngeos clássicos.

Contexto Educacional

A convulsão febril é um evento comum na infância, afetando 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos. Embora a maioria seja benigna (convulsão febril simples), é crucial identificar casos atípicos que podem indicar uma patologia mais grave, como meningite ou encefalite, que exigem intervenção imediata para evitar sequelas neurológicas. A fisiopatologia envolve a imaturidade do sistema nervoso central em resposta à febre, mas a presença de sinais de alerta como duração prolongada (>5 minutos), características focais, recorrência em 24 horas ou, como no caso, alteração persistente do nível de consciência após a crise, demanda investigação aprofundada. A ausência de sinais meníngeos clássicos em lactentes não exclui meningite, tornando a punção lombar um exame diagnóstico fundamental. A conduta imediata em casos de convulsão febril atípica, especialmente com alteração do nível de consciência, é a estabilização do paciente e a realização de exames complementares, com a punção lombar sendo prioritária para descartar infecção do SNC. O tratamento da causa subjacente é essencial, e a antibioticoterapia empírica deve ser considerada após a coleta da amostra de líquor, se houver alta suspeita de infecção bacteriana.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta em uma convulsão febril pediátrica?

Sinais de alerta incluem duração > 5 minutos, recorrência em 24h, características focais, e alteração persistente do nível de consciência após a crise.

Por que a punção lombar é indicada neste caso?

A punção lombar é indicada para descartar meningite ou encefalite, especialmente em lactentes com convulsão febril prolongada e alteração do nível de consciência, que são sinais de alerta para infecção do SNC.

Qual a diferença entre convulsão febril simples e complexa?

A convulsão febril simples é generalizada, dura < 15 minutos e não se repete em 24h. A complexa pode ser focal, durar > 15 minutos ou ter mais de uma crise em 24h.

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