UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2022
Lactente, oito meses, previamente hígido, é levado à emergência com história de febre há 36 horas e episódio de crise convulsiva tônico-clônica com duração de cinco minutos. Responsável nega episódios anteriores. Exame físico: febril e sonolento, porém facilmente despertável, sem sinais de irritaçãomeníngea. Hiperemia de orofaringe. Restante do exame sem alterações. A abordagem imediata é realizar:
Lactente < 12 meses com primeira crise convulsiva febril, sonolência pós-ictal prolongada, ou exame físico duvidoso → Considerar punção lombar para excluir meningite.
Embora o quadro possa ser de convulsão febril simples, a idade do lactente (< 12 meses) e a sonolência pós-ictal, mesmo sem sinais meníngeos francos, aumentam a suspeita de infecção do SNC. A punção lombar é fundamental para descartar meningite, que pode ter apresentação atípica nessa faixa etária.
A crise convulsiva febril é um evento neurológico comum na infância, afetando cerca de 2-5% das crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. Embora a maioria seja benigna (convulsão febril simples), é crucial descartar causas mais graves, como infecções do sistema nervoso central (SNC), especialmente em lactentes. A idade do paciente e as características da crise são determinantes na decisão de investigação. Fisiopatologicamente, a crise convulsiva febril é desencadeada por uma rápida elevação da temperatura corporal, em um cérebro imaturo e mais suscetível a descargas elétricas anormais. No entanto, a meningite bacteriana e a encefalite podem mimetizar uma convulsão febril, e a ausência de sinais meníngeos clássicos em lactentes jovens é uma armadilha diagnóstica. A sonolência pós-ictal prolongada ou a irritabilidade podem ser os únicos indícios de uma infecção do SNC. A punção lombar é a abordagem diagnóstica mais importante para excluir meningite em lactentes com crise convulsiva febril, especialmente aqueles com menos de 12 meses, vacinação incompleta, ou características de convulsão febril complexa (focal, prolongada, recorrente). A decisão deve ser individualizada, considerando o risco-benefício, mas a alta morbimortalidade da meningite em lactentes justifica uma abordagem mais agressiva na investigação.
A punção lombar deve ser fortemente considerada em lactentes < 12 meses com primeira crise convulsiva febril, na presença de sonolência persistente, irritabilidade, ou se o estado vacinal para Haemophilus influenzae tipo b e Streptococcus pneumoniae for incompleto.
Em lactentes, o sistema nervoso central ainda está em desenvolvimento e a resposta inflamatória pode ser atípica, levando à ausência de sinais meníngeos clássicos como rigidez de nuca. Sinais inespecíficos como irritabilidade, letargia ou recusa alimentar são mais comuns.
A convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos e não se repete em 24 horas. A complexa é focal, dura mais de 15 minutos, ou tem mais de um episódio em 24 horas. A convulsão febril complexa ou atípica aumenta a suspeita de doença mais grave.
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