Convulsão Febril em Lactentes: Conduta e Investigação

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2024

Enunciado

Lactente com cinco meses de idade é trazida à emergência devido a um quadro de febre iniciado há 22 horas, acompanhado de vômitos (quatro episódios) e chorando muito; sem outros sintomas. Antecedentes: a mãe refere que a criança manifestou três quadros gripais nos últimos 2 meses e tem alergia a dipirona. Não trouxe o cartão de vacinação. A mãe informa, ainda, que algumas vacinas estão atrasadas porque a criança teve febre alta após vacinar-se, então o pai foi contra as vacinas. O exame físico é bastante dificultado pelo choro persistente. Ao exame físico, apresenta sinais de desidratação moderada e temperatura axilar de 39,6 ºC. Durante o exame, a criança apresentou convulsão que cessou rapidamente, antes que houvesse tempo para aplicar anticonvulsivante. Com base nesse caso, a conduta inicial é

Alternativas

  1. A) antitérmico, preferencialmente com dipirona via endovenosa, realizar hemograma, EAS, urocultura e deixar em observação.
  2. B) antitérmico, hidratação venosa, realizar hemograma, glicemia capilar, dosagem de proteína C reativa e punção lombar para análise do líquor.
  3. C) antitérmico, anticonvulsivante e hidratação venosa, deixar em observação, mínimo de 24 horas, e solicitar o cartão de vacinação.
  4. D) realizar hemograma, EAS, urocultura, hemocultura e radiografia de tórax. Após normalização da temperatura, prescrever soro oral e manter em observação até os resultados dos exames.
  5. E) antitérmico, anti-hemético, hidratação venosa e manter em observação durante 12 horas.

Pérola Clínica

Lactente < 12 meses com febre + convulsão (mesmo que cessada) + desidratação → Investigar infecção grave (PL, hemocultura, urocultura).

Resumo-Chave

Em lactentes jovens (< 12-18 meses) com febre alta, convulsão (mesmo que simples e cessada), e sinais de desidratação, a investigação para infecção bacteriana grave, incluindo meningite (punção lombar), é mandatório devido à dificuldade de avaliar sinais meníngeos e o risco de sepse.

Contexto Educacional

A convulsão febril é o tipo mais comum de convulsão na infância, afetando crianças entre 6 meses e 5 anos de idade, associada à febre sem evidência de infecção intracraniana ou causa metabólica. Embora a maioria seja benigna (convulsão febril simples), é fundamental diferenciar de condições mais graves, como meningite ou encefalite, especialmente em lactentes jovens. A história de febre alta e vômitos, junto com desidratação, levanta a suspeita de infecção sistêmica. Em lactentes menores de 12 a 18 meses, a apresentação clínica de infecções graves do sistema nervoso central (SNC) pode ser sutil e inespecífica, tornando o diagnóstico desafiador. Sinais meníngeos clássicos podem estar ausentes. A presença de uma convulsão, mesmo que breve e cessada, em um lactente com febre e outros sinais de comprometimento (como desidratação e queda do estado geral), exige uma investigação aprofundada para excluir infecção bacteriana grave. A conduta inicial inclui estabilização do paciente (antitérmico, hidratação venosa), seguida de uma investigação completa. Isso geralmente envolve hemograma, glicemia, dosagem de PCR, EAS, urocultura, hemocultura e, crucialmente, punção lombar para análise do líquor, especialmente em lactentes jovens com fatores de risco para infecção grave do SNC. A punção lombar é essencial para descartar meningite bacteriana, uma condição com alta morbimortalidade se não tratada prontamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para uma convulsão febril simples?

Uma convulsão febril simples ocorre em crianças de 6 meses a 5 anos, é generalizada, dura menos de 15 minutos, não se repete em 24 horas e não há evidência de infecção do sistema nervoso central (SNC).

Quando a punção lombar é indicada em lactentes com convulsão febril?

A punção lombar é fortemente considerada em lactentes com menos de 12 meses, especialmente se houver sinais de infecção grave, irritabilidade, letargia, ou se a convulsão for atípica (focal, prolongada, repetida), para descartar meningite.

Qual a importância da hidratação em lactentes com febre e vômitos?

A febre e os vômitos aumentam o risco de desidratação, que pode agravar o quadro clínico e dificultar a avaliação. A hidratação venosa é crucial para a estabilização hemodinâmica e metabólica do lactente.

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