FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Paciente de 65 anos, gênero feminino, diabética tipo 2 é admitida em unidade de emergência por IAM sem supra. Diante dos altos níveis glicêmicos foi optado pela insulinização em bomba de infusão contínua (BIC). A paciente será encaminhada à enfermaria da cardiologia com dieta oral para diabéticos. Recebeu 20 unidades de insulina infundidas nas últimas 6 horas via BIC. Qual seria a prescrição adequada de insulinas NPH e Regular subcutâneas?
Conversão insulina IV para SC → Reduzir TDD (ex: 60%) e dividir basal/bolus para evitar hipoglicemia.
Ao converter insulina de bomba de infusão contínua (IV) para subcutânea (SC), é crucial calcular a dose diária total (DDT) infundida e, geralmente, reduzir essa DDT em 20-40% para a dose SC, dividindo-a entre insulina basal (NPH) e bolus (Regular) para evitar hipoglicemia, especialmente em pacientes que iniciam dieta oral.
A transição da insulinoterapia intravenosa (em bomba de infusão contínua - BIC) para a subcutânea (SC) é um momento crítico no manejo hospitalar de pacientes diabéticos, especialmente em cenários agudos como o infarto agudo do miocárdio (IAM). O objetivo é manter o controle glicêmico adequado, minimizando o risco de hipoglicemia e hiperglicemia. O residente deve dominar essa conversão para garantir a segurança do paciente. O primeiro passo é calcular a dose diária total (DDT) de insulina que o paciente recebeu nas últimas 24 horas via BIC. Em seguida, para a transição para SC, é uma prática comum reduzir essa DDT em 20-40% para evitar hipoglicemia, pois a insulina SC tem um perfil de ação diferente e a sensibilidade do paciente pode ter mudado. A dose reduzida é então dividida entre insulina basal (para controle entre as refeições e noturno) e insulina bolus (para cobrir as refeições). Uma abordagem comum é dividir a DDT SC em 50% basal e 50% bolus. A insulina basal pode ser administrada como NPH (duas ou três vezes ao dia) ou análogos de ação prolongada. A insulina bolus (Regular ou análogos de ação rápida) é administrada antes das principais refeições. No caso da questão, 20U em 6h = 80U/dia. Reduzindo para 60% (48U/dia) e dividindo 50% basal (24U) e 50% bolus (24U), teríamos NPH 8:8:8 (24U) e Regular 8:8:8 (24U), o que corresponde à alternativa correta e reflete uma estratégia de transição segura.
Para calcular a dose diária total (DDT) de insulina a partir da bomba de infusão contínua, multiplica-se a taxa de infusão horária pela duração da infusão. No caso, 20 unidades em 6 horas significam uma taxa de 3,33 U/h, resultando em uma DDT de 80 unidades (3,33 U/h x 24h).
Após calcular a DDT da insulina subcutânea (geralmente 60-80% da DDT da BIC), a proporção usual é dividir essa dose em 50% para insulina basal (NPH ou glargina) e 50% para insulina bolus (Regular ou análogos de ação rápida), que é então fracionada nas refeições.
É importante reduzir a dose total de insulina na transição de IV para SC para evitar hipoglicemia. A insulina IV tem uma biodisponibilidade mais previsível e rápida, e a sensibilidade à insulina pode aumentar após a resolução de um evento agudo (como IAM), além de considerar a retomada da alimentação oral.
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