CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Considere dois pacientes, um míope e outro hipermétrope, sem quaisquer distúrbios oculomotores e com capacidades de convergência normais, utilizando óculos para visão simples, para corrigir suas ametropias, de 5,00 DE, com centros ópticos coincidentes com seus eixos visuais, na visão para longe. Com relação à visão para perto, assinale a alternativa correta:
Hipermétrope com óculos → Efeito prisma base externa → ↑ Necessidade de convergência para perto.
Lentes positivas (hipermetropia) agem como prismas de base externa na visão de perto, exigindo maior esforço de convergência do que em míopes com lentes negativas.
A óptica oftálmica demonstra que lentes corretoras não apenas ajustam o foco, mas também alteram a dinâmica oculomotora. Lentes positivas são mais espessas no centro; ao olhar para perto (convergência), o olho atravessa a periferia nasal da lente, que se comporta como um prisma de base temporal, exigindo mais esforço dos retos mediais. Este conceito é vital para entender a astenopia em pacientes recém-corrigidos. O equilíbrio entre acomodação e convergência (relação AC/A) é afetado pelo tipo de correção óptica, sendo um tema recorrente em provas de título e fundamental para a prescrição adequada de prismas ou mudanças para lentes de contato em casos de insuficiência ou excesso de convergência.
Quando um paciente hipermétrope usa lentes positivas (convergentes) para ler, seus eixos visuais passam por uma porção da lente que atua como um prisma de base externa (base temporal). De acordo com as leis da óptica, um prisma desvia a luz em direção à sua base, o que faz com que a imagem pareça estar mais deslocada para fora. Para manter a fusão binocular e focar no objeto próximo, os olhos do hipermétrope devem realizar um esforço de convergência adicional para compensar esse desvio prismático 'para fora' induzido pela lente.
O paciente míope utiliza lentes negativas (divergentes). Na visão de perto, ao convergir os olhos, os eixos visuais atravessam a lente em uma região que funciona como um prisma de base interna (base nasal). Esse efeito prismático de base interna auxilia a convergência natural, 'trazendo' a imagem para dentro. Consequentemente, o míope que utiliza óculos realiza um esforço de convergência menor do que um emétrope ou um hipermétrope para focar na mesma distância de leitura.
A distância vértice (distância entre a face posterior da lente e a córnea) amplifica os efeitos prismáticos. Quanto maior a distância vértice e maior a dioptria da lente, mais pronunciado será o efeito de base externa no hipermétrope e de base interna no míope. É por isso que pacientes com altas ametropias podem sentir desconforto (astenopia) ao trocar óculos por lentes de contato, já que as lentes de contato eliminam esse efeito prismático induzido pelo descentramento visual na visão de perto.
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